A comoção dos fãs foi imediata quando a Netflix anunciou, em junho do ano passado, o cancelamento de “Sense8”. Foram inúmeras as campanhas feitas pelos amantes da série para que a decisão fosse revertida. Em uma petição online, o público chegou a reunir mais de 500 mil assinaturas para que ela ganhasse uma nova temporada. Nas redes sociais, além de inúmeras hashtags, a plataforma teve que lidar também com uma enxurrada de críticas e reclamações vindas dos fãs da produção.

Toda a movimentação deu resultado e quase um mês depois do anúncio do encerramento de “Sense8”, a Netflix confirmou a produção de um episódio final: um especial de duas horas, um fechamento do enredo, que acompanha a história dos sensates - como são conhecidos os protagonistas, que, na história, compartilham uma ligação intensa entre si.

Como aquecimento para a estreia do episódio final, vale tentar entender de onde vem toda a força da produção, que tem por trás de sua criação os dois nomes de peso: as irmãs Lilly e Lana Wachowsk (as mesmas que assinam Matrix). Mas, para além da dupla poderosa, a explicação para todo o alvoroço causado pela série pode estar na diversidade dos personagens. “Sense8 foi a primeira série da Netflix pautada no universo da ficção científica. É uma produção que retrata uma diversidade de sexualidades, mas também de culturas e etnias a partir de oito protagonistas, cujos universos se entrecruzam”, sublinha a pesquisadora Emannuelle Dias. “Talvez seja esse conjunto de elementos que faça com que a produção atinja um nicho muito unido e que tenha demandado pelo menos uma breve continuação da produção pela Netflix”, infere.

Embora tenha seu sucesso comprovado pela força de seus fãs, Dias ressalta que é importante relativizar o êxito da produção. “Ela foi cancelada porque os números de audiência não foram bons o suficiente. Mas, mesmo assim, conseguiu conquistar uma parcela do público que é unida e que consegue ter um poder de influência. É um sucesso para o nicho”, pontua a pesquisadora.

Identificação

Fã de “Sense8”, a estudante de museologia Maíla Ambrósioendossa o coro, e aponta a diversidade da série como um dos diferenciais da produção. “É bem legal porque ela tem uma representatividade que vai além das questões econômicas e de gênero. Todos os personagens tem uma história a contar e isso nos ensina a não julgar alguém por sua aparência ou condição social”, afirma.

Para ela, essa diversidade facilita também a identificação do público ou até mesmo o apego a algum personagem. “Você se apaixonada pela história da Naomi, uma das protagonistas que sofre preconceito dentro da família por ser transexual”, exemplifica.

Mesmo que não tenha gostado da série de cara, ela admite que valeu a pena ter dado uma chance para a produção e ressalta a expectativa para o episódio final. “Ela é dessas séries que você precisa dar uma oportunidade. Fui maratonando e virando fã”, confessa. “O especial deve ser um combo das duas temporadas. Espero que continue abordando temas que são tabus e que ainda precisam ser quebrados”, diz.

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