Publicado em 1997, “Gran Turismo” foi o game que preencheu o hiato entre os games de corrida “arcade” e simuladores de computador. De lá para cá, a franquia teve outros cinco títulos, que atravessaram as gerações PS2 e PS3. A estreia no PS4 aconteceu há menos de um mês com “Gran Turismo Sport”, sétimo jogo da série criada pelo designer e piloto Kazunori Yamauchi, que surge como um dos games de corridas mais bonitos da atualidade, beirando o realismo. 

“GT Sport” era uma grande promessa, mas o resultado foi aquém do esperado. A série sempre foi famosa por sua imensa garagem, que chegou a 1.200 unidades em “Gran Turismo 6”. Agora são apenas 168 automóveis, todos de alto desempenho, sejam de competição ou esportivos.

Mas o que incomodou boa parte dos jogadores (faço parte desse coro) é que a estrutura do jogo foi totalmente desconstruída. A série tinha sistema de progressão que demandava que o jogador começasse a carreira com o mínimo de recursos. Comprava um carro usado, apostava pequenas corridas e utilizava os créditos para investir em melhorias. Além disso, avançava nas competições de acordo com o nível de habilitação. Isso mesmo, em “Gran Turismo” sempre foi preciso passar por exames de direção para graduar em categorias mais avançadas. 

Virada de chave

Em “GT Sport” tudo isso desaparece. O game deixa de apostar na relação entre jogador e máquina para se tornar um game com foco total no e-Sport. Ou seja, oferece recursos para os jogadores e cada um que os ajuste da melhor maneira para ser mais competitivo na pista. 

Basicamente, o game é composto por corridas disponibilizadas por uma central de provas. O jogador pode se inscrever para disputar as partidas, mas elas têm hora marcada para acontecer. É um tanto enfadonho ter que esperar alguns para poder correr. 

A medida em que o jogador participa das corridas, recebe créditos para comprar novos carros. No entanto, não é preciso mais investir em peças. O jogador pode fazer os ajustes da forma que quiser. Por outro lado, a ferramenta de modificação visual ficou mais refinada. É possível aplicar adesivos, adquirir rodas e componentes estéticos para deixar o carro mais invocado. Já a condução dos carros ficou mais realista, mas ainda não oferece a física de um simulador. O jogador pode habilitar assistentes de direção, freio, controles de tração e estabilidade para tornar a pilotagem mais fácil.

No fim das contas, “Gran Turismo” deu uma banana para o modelo que criou há 20 anos, ficou mais burocrático, mais chato.

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