Com que roupa eu vou? Pergunta longe de ser retórica, especialmente quando a finalidade do traje é marcar presença e sobressair em festas como formaturas ou casamentos. 

Vestidos direcionados para eventos de gala são vendidos a preço de ouro e, geralmente, dá para contar nos dedos quantas vezes cada peça é utilizada, principalmente quando ocasiões desse tipo não são uma constante na vida de uma mulher. Nesse cenário, uma opção já conhecida por muitas tem ganhado cada vez mais adeptas: o aluguel de roupas.

Os sucessivos casamentos do círculo de amizades de Bárbara Dias, de 28 anos, levaram a advogada a procurar pelo serviço há um ano. Inclusive, em 2018, a jovem é madrinha de três dessas uniões. 

“Para comprar, os preços eram muito altos e eu iria usar os vestidos somente uma vez. Vi que, com o aluguel, conseguiria peças tão bonitas quanto, de grifes famosas, por um preço muito inferior”, observa.

Foi a mesma percepção da cliente Bárbara que despertou a atenção da empresária Vanessa Galizzi, 28, para montar, há pouco mais de 3 anos, a Fits U, no bairro de Lourdes, Centro-Sul de BH. 

“A cada evento, era uma dificuldade para achar vestidos bonitos e com preços acessíveis. Pesquisei muito e percebi que as opções de aluguel não eram boas”, relembra.

Ter um look diferente em todas as ocasiões e economizar não são as únicas vantagens do aluguel de roupas finas. Tanto Bárbara quanto Vanessa destacam o conforto do serviço. 

“A cliente não precisa se preocupar em ajustar e lavar o vestido, fazemos tudo na loja”, aponta a empresária. “A gente fica na dúvida de como lavar e acaba gastando com lavanderia. Vale muito a pena alugar”, arremata a advogada Bárbara Dias.

Marilane (E) com as irmãs Luiza (centro) e Fernanda (D) na hora da entrega do vestido de madrinha

Marilane (E) com as irmãs Luiza (centro) e Fernanda (D) na hora da entrega do vestido de madrinhaa


Benefícios

A praticidade da locação de vestidos parece ser mesmo um dos benefícios que mais chamam a atenção do consumidor. 

Nesse sábado (10), a servidora pública Fernanda Brescia Corrêa, de 34 anos, foi madrinha do casamento da irmã Luiza. Durante a semana, ela já foi buscar a peça escolhida na Renda-se Moda, loja localizada no Barro Preto, região Central da cidade. Tudo estava pronto, inclusive a clutch para combinar com o look.

“Acho mais vantajoso alugar pelo fato de não acumular roupas em casa que não serão usadas com frequência. Um dos benefícios é poder variar”, afirma Fernanda.

Proprietária da Renda-se Moda, Marilane Gouvêa ressalta que, além de ser mais prático, é mais em barato. “Atendi uma cliente que comprou um vestido de R$ 6 mil e usou duas vezes. O aluguel máximo aqui sai por R$ 500”, conta.

Um dos diferenciais da loja, conforme Marilane, é a variedade de perfis atendidos. “Temos do tamanho 34 ao 50 e modelos para todas as idades, de 15 a 70 anos. São debutantes, mães de noivas, madrinhas e formandas”, explica.

Na Cinco-Cinco, as possibilidades são muitas: cerca de 350 peças no acervo, entre roupas e acessório

Na Cinco-Cinco, as possibilidades são muitas: cerca de 350 peças no acervo, entre roupas e acessórios

Além Disso

Não só de eventos pomposos vive o aluguel de roupas em Belo Horizonte. Recentemente, uma proposta inédita foi criada na capital, uma espécie de “Netflix” da moda. A ideia é que a cliente pague uma mensalidade e retire um número X de peças de vestuário e acessórios que, sim, podem ser para um baile de formatura ou mesmo para um evento mais descolado.

Rafaela Chaves, de 27 anos, uma das sócias da Cinco-Cinco Co-dressing, explica que o modelo de negócio surgiu de uma preocupação com a sustentabilidade, o meio ambiente e a exploração da mão de obra na indústria fashion.

“Trazemos a sustentabilidade pelo aluguel da roupa. A gente propõe a experimentação de novos estilos. A experiência é mais importante que a posse”, explica a empresária que expõe que, hoje, o acervo da Cinco-cinco, que inaugurou há apenas três meses, tem quase 350 peças entre roupas e acessórios.

A empresa está inserida n’A Casa BH, espaço colaborativo de moda localizado no bairro Funcionários. Lá, a proposta é a abrangência de pessoas, estilos e possibilidades, destaca o co-fundador Marcos Brasil.

“As empresas começam a se beneficiar quando compartilham conhecimento. A moda é um universo gigante, mas que não traz oportunidades a todos. Sempre foi um ambiente fechado”, observa.

Unidas no projeto d’A Casa BH, espaço colaborativo de moda

Unidas no projeto d’A Casa BH, espaço colaborativo de moda, da esquerda para a direita: Poliana Bittencourt, Rafaela Chaves, Aline Prado, Maíra Henrique, Marcella Prado e Isis Henrique