Reconhecido no Brasil e internacionalmente, o bordado é uma expertise marcante da moda mineira, célebre pelas roupas de festa. Apesar da nova safra de estilistas daqui buscar propostas mais jovens e urbanas, o luxo das peças trabalhadas handmade segue mantendo lugar de destaque. 

Assim pensa o distribuidor de roupas espanhol Jaime Sanchez, que esteve em Belo Horizonte na última edição do Minas Trend, no início deste mês. Há oito anos, o empresário de Madri é convidado para o evento pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), visita e fecha negócios com as marcas mineiras.

Arte Sacra, vestido, bordado

Arte Sacra reproduziu efeito 3D

“Fico impressionado com a excelente qualidade da moda festa feita em Minas. Vocês são muito criativos na combinação das cores e, principalmente, nos bordados. Não é fácil encontrar o que compro aqui em outros mercados que visito, como na Turquia, por exemplo”, revela Sanchez.

A qualidade admirada pelo estrangeiro é fruto de um trabalho realizado com cuidado e perfeição, opina Ellizabeth Marques, diretora criativa da grife homônima. “O bordado mineiro tem história, é uma arte passada de mãe para filha, por isso tem valor e ganha destaque”, coloca.

Especial

A versatilidade e atemporalidade do guarda-roupa, conceitos tão em voga nos últimos anos, desde o início do movimento slow fashion (que envolve o engajamento com a sustentabilidade), facilmente direcionam o consumidor para uma moda minimalista, com poucos detalhes, o oposto da opulência do bordado.

No entanto, a marca registrada mineira deve ser pensada como uma pedra preciosa, propõe a diretora comercial e de marketing da grife Kalandra, Ana Flávia Castro. “Mesmo com a onda minimalista, o bordado se destaca porque é uma peça-joia. Uma roupa personalizada, que tem um traçado exclusivo”, observa.

Para a diretora criativa da Arte Sacra, Marcela Malloy, a escolha do comprador por uma peça de roupa bordada com certeza é um momento especial. 

“Os bordados mineiros têm um primor de coloração e profundidade, os materiais são escolhidos e elaborados em uma mistura única. Carregamos um DNA handmade de pontos elaborados e construídos que saltam aos olhos. Ele traduz toda a feminilidade e delicadeza mineiras”, expõe Malloy.

Ellizabeth Marques acrescenta que o bordado tem uma característica especial que agrada as mulheres. “Por ser um trabalho tão precioso e rico, tem a peculiaridade de dar um ‘glam’ a mais em qualquer peça, seja de festa ou casual. Acredito que por isso as mulheres gostam tanto desse trabalho”, acredita.

Jaime Sanchez, comprador Minas Trend

O espanhol Jaime Sanchez vem ao Minas Trend desde que o evento era realizado na Lagoa dos Ingleses

Além Disso

Tanta sofisticação não poderia vir desatrelada de um custo mais alto. Aplicar vidrilos, paetês, miçangas e outros pequeninos itens a mão em um vestido inteiro, por exemplo, pode levar até uma semana de trabalho de uma bordadeira experiente, onerando a peça.

Na Kalandra, as aplicações, das mais simples às mais sofisticadas, são feitas por equipes terceirizadas. 

“Contratamos bordadeiras fixas que tratam de montar grupos de pessoas, com homens e mulheres, moças e pessoas mais velhas, que realizam o serviço. Tudo depende da demanda”, conta a diretora comercial e de marketing da marca, Ana Flávia Castro.

Na Arte Sacra, a mão de obra também é 100% local, revela a diretora criativa da marca, Marcela Malloy. Na compra de material, Minas Gerais também tem seu lugar. “Mesclamos produtos que vão dos mineiros paetês marmorizados aos austríacos cristais Swarovski”, diz.

O empresário espanhol Jaime Sanchez considera os preços praticados pelas marcas daqui altos, mas, mesmo assim, continua a retornar, ano após ano, ao Minas Trend. 

“Apesar de não gostar do preço, as peças que levo para a Europa têm alto valor de venda para países como a própria Espanha, França, Itália e Portugal”, afirma.