Ninguém tem dúvidas de que o amor verdadeiro não se constrói somente quando existem laços sanguíneos. Está dentro do coração. 

Quando se fala em paternidade, então, há tios corujas, superpadrinhos e outros homens tão presentes na vida das crias alheias que pouco importa quem, de fato, ostenta o título oficial. Nesses casos, o privilégio é de todos!

Neste Dia dos Pais, buscamos histórias inspiradoras de solteiros que desafiam a ordem natural das coisas ao cuidarem de filhos “postiços” como se fossem seus.

Eurico Braga Júnior, por exemplo, descobriu-se “pai” há quase dez anos, quando recebeu a notícia de que, na verdade, seria tio. “Naquele momento, tornei-me pai”, conta, relembrando a espera da irmã por Maria Eduarda (nome escolhido por ele), enquanto conta histórias recheadas de sentimento, daquelas de fazer marejar os olhos. 

O engenheiro Rafael Porto percorreu caminho semelhante há cerca de quatro meses, quando foi presenteado com a afilhada, Beatriz. Anos antes, porém, já havia sido duplamente contemplado ao conhecer a namorada, Mariana, e, de quebra, ganhar a convivência com um filho “emprestado”, João Henrique. 

O caso de Wellington Mendes também foi de amor à primeira vista pela sobrinha Kimberly, que ajudou a criar desde os primeiros dias de vida. Mesmo destino de Yasmim, prima de segundo grau do fotógrafo – a quem se dedica como se fosse pai. 

Confira as histórias emocionantes que nos ajudam a entender melhor o real significado da palavra pai:

Presente para a alma

Quando a irmã do supervisor de projetos Eurico Alexandre Braga Júnior, de 38 anos, descobriu que estava grávida, mal podia imaginar que mais do que dar à luz uma menina, também estava prestes a colocar no mundo não só um, como dois pais. 

Há nove anos, Maria Eduarda, que ganhou “Xande”, como o chama, ainda na barriga da mãe, tem o privilégio de desfrutar de todos os fins de semana na companhia do tio, que é também uma espécie de pai postiço. 

Ao lado do irmão, João Pedro, que chegou dois anos mais tarde, a menina compartilha a convivência pra lá de especial com uma figura que é só amor e afeto pelos sobrinhos, filhos de coração e de alma. 

“Maria Eduarda foi um presente para a família toda. Embora seja padrinho só dela, deposito o mesmo carinho e amor nos dois”, comenta Eurico, que tem praticamente uma guarda compartilhada dos meninos. “Recebo-os na sexta e devolvo no domingo. Às vezes tem até choro na despedida”, revela. 

Neste domingo, mais do que celebrar a data pelo pai, Eurico vai comemorar o próprio dia e o motivo que o faz realizar-se há quase uma década com o sentimento mais genuíno que foi capaz de conhecer: o amor paterno.

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Eurico com João Pedro e Maria Eduarda

Três filhos em quatro anos

O engenheiro mecânico Rafael Porto, de 33 anos, conheceu Mariana, de 28, há quatro anos. Naquela época, ele até sabia, em certa medida, o que encontraria pela frente: a namorada é mãe de João Henrique, de 10 anos, fruto de uma relação anterior. 

Apesar de ter consciência do “terreno” em que entrava, Rafael não fazia ideia do que ainda estava por vir. Mais do que enteado, com o passar do tempo, o pequeno ganhou status de filho. Postiço, claro. 

“Nossa relação sempre foi muito boa. Desde o início, a aceitação, tanto minha, quanto dele, aconteceu de forma natural e nunca houve ciúmes nem problemas”, relata. 

Dos sete dias da semana, em pelo menos cinco eles estão juntos, fazendo o para casa, jogando futebol ou assistindo ao time do coração, o Cruzeiro, no Mineirão. 

Para completar a família, três anos após conhecer João, chegou ao mundo Gabriel, sobrinho de Rafael. Há quatro meses, ele também ganhou uma afilhada, Beatriz. “Foi o melhor presente que eu poderia ter recebido, e no dia do meu aniversário”, relembra. 

Enquanto não se torna pai biológico, Rafael aproveita o momento e sonha com a própria família. “É meu maior sonho. Se pudesse escolher, teria um menino, para ser mais um companheiro”, revela.

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Rafael com João Henrique, Gabriel e Beatriz

Sobra amor na relação

Quem vê o fotógrafo Wellington Mendes da Silva, de 28 anos, acompanhado por Kimberly, de 13, e Yasmim, de 8, na igreja que frequentam, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, vai logo imaginando tratar-se de um pai (novinho, é verdade!) com as duas filhas. Mas quem o conhece um pouquinho mais sabe que, na verdade, as meninas são filhas do coração. 

A primeira, primogênita do irmão, foi praticamente criada por ele. “Como ele precisava trabalhar, ela acabava passando grande parte do dia comigo e isso fez com que ficássemos bem apegados”, lembra. 

A outra, filha de uma prima, mudou-se da capital paulista para BH ainda bem pequena, e, apesar da ausência de laços familiares mais diretos, despertou no fotógrafo sentimento semelhante ao que dispensa à sobrinha. 

“Criança não ter pai é muito ruim. E ela diz que tem três: o de sangue, que mora longe, eu e meu irmão”, conta Wellington, todo vaidoso. 

Companheiro de Taís há dois anos, com quem se casa no fim deste ano, ele sonha em ter uma família para chamar de sua.

Enquanto isso, confessa, tem se dedicado à melhor parte da paternidade: curtir as crias. “O pai da Kimberly agora tem mais tempo para ela, e a mãe da Yasmim tem dedicação 100%. Atualmente, então, não faço mais o para casa, não dou banho nem comida. Mas o vínculo e o amor continuam os mesmos. Considero-me um segundo pai”, reforça. 

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Wellington com Kimberly e Yasmim