Longas horas de trabalho e hábitos repetidos ao longo dos anos durante a jornada podem levar o melhor dos funcionários à improdutividade. Insatisfação com a posição ocupada ou com a conduta da empresa, atritos com o chefe e até irritação com questões do dia a dia podem também virar armadilhas para o bom desempenho profissional. 

Mais do que se preocupar com as pedras no caminho, fundamental é evitar empurrar o problema “com a barriga”, administrando bem o tempo disponível. Mas como medir o próprio rendimento no trabalho? Começando por um exame de consciência, ensinam especialistas. 

Desculpas na ponta da língua para justificar prazos estourados ou tarefas não entregues, horas extras a perder de vista sem um motivo aparente (e real) que justifique o trabalho dobrado e até excesso de distração na hora do cafezinho são termômetros importantes para identificar que algo vai mal. 

Diretor-executivo da Upside Group, consultoria de Belo Horizonte especializada em gestão de capital humano, Bruno da Matta Machado reforça que mensurar a produtividade (ou a falta dela) é um desafio e tanto. Uma boa dica, segundo ele, é começar pela avaliação do que esperam de você como profissional. 

“Parece básico, mas, às vezes, somo tão engolidos pela rotina que esquecemos do nosso papel no dia a dia da empresa. Se conheço a minha função, clara e objetivamente, consigo compreender se tenho entregado ou não os resultados esperados”, pontua.

Mais envolvimento

De acordo com o profissional, apesar de as empresas estarem priorizando mão de obra nova (gente que busca desafios), profissionais que permanecem por longos períodos num mesmo posto não precisam, necessariamente, cair em descrédito na hora da avaliação de rendimento ou da auto-análise.

Tudo depende do entusiasmo com que se executa o ofício. “O ‘velho’ não é tão interessante quanto o novo. Nada que a criatividade e a atenção às tarefas e funções não resolvam”, explica, reforçando que vestir a camisa somente não basta. É preciso se sentir à vontade com ela. 

“A produtividade está muito relacionada ao nosso bem-estar. Quando não estamos nos sentindo bem por qualquer motivo, perdemos o prazer em realizar diversas tarefas, inclusive no trabalho”
Christian Barbosa - especialista em gestão do tempo e produtividade

A mudança de perfil das empresas e, consequentemente, da forma de avaliar o desempenho do funcionário, também tem trazido à tona um jeito novo de balizar o rendimento: mais baseado na qualidade dos resultados do que no tempo de entrega. Isso não significa, porém, que é permitido se desligar das regras básicas de convivência, de acordo com o diretor-executivo da Upside Group.

“A preocupação tem deixado de ser somente se faço de casa ou do escritório. O que mais interessa é o nível e o prazo de entrega de cada um. Apesar disso, é sempre bom se policiar sobre comportamentos e horário e sobre condutas básicas do comportamento social e não só empresarial”, diz o especialista. 

Arte Produtividade calculada

Internet divide opiniões: para gestores, acessos prejudicam

Rede universal usada por mais da metade da população brasileira, a internet é mocinha, mas também vilã quando o assunto é o rendimento no trabalho. Levantamento realizado entre gestores e representantes de cargos técnicos, auxiliares e estagiários mostrou que o uso da web durante as atividades laborais gera controvérsia quando confrontadas opiniões dos dois grupos, podendo, inclusive, atrapalhar.

Para se ter uma ideia, enquanto 64% dos funcionários que participaram da pesquisa elencaram os canais de notícia como campeões de acesso no trabalho, 77% dos gestores apontaram as redes sociais como campeãs nas mesmas circunstâncias. 

Houve controvérsia também quanto ao impacto das “escapadas” nos resultados obtidos ou esperados: a maioria dos gestores respondeu que interferem negativamente (54%), enquanto funcionários disseram que não prejudicam ou influenciam positivamente (75% no total).

Catarinenses, mineiros, paranaenses e cariocas participaram da pesquisa das empresas Neotriad (especialista em produtividade e gestão de equipes) e Ostec (voltada para segurança virtual). 

Especialista em gestão do tempo e produtividade, Christian Barbosa ressalta que navegar na web pode até melhorar o desempenho do funcionário, desde que haja cuidado com o conteúdo e tempo de acesso. O alerta vai para a procrastinação, prática perigosa que pode levar ao acúmulo de funções e ao estresse excessivo.

“Um perfil que tem incomodado muito é o de quem se distrai com facilidade, especialmente devido às redes sociais, que nos prendem o tempo todo. Pausas para conversar e se ‘desligar’ são importantes para nos tornarmos mais produtivos. Mas, para não ter problemas, é importante haver senso de prioridade e esforçar-se para manter o foco”, alerta o profissional.