Como transformar papel alumínio em uma bola de metal? A pergunta, que pode parecer mais uma das tantas questões mirabolantes que povoam os mecanismos de busca na internet, tem resposta – e ela já foi vista por mais de 4 milhões de pessoas no YouTube.
Foi justamente a partir de informações curiosas como essa que o jornalista Iberê Thenório e sua esposa, a terapeuta ocupacional Mari Fulfaro, deram forma ao “Manual do Mundo”, onde compartilham também experiências, informações sobre viagens e tecnologias

Hospedado há 10 anos de plataforma e com mais de 10 milhões de inscritos, o canal surgiu da união das habilidades do casal e do interesse em comum pelos temas explorados nos conteúdos. “Tudo começou quando a gente veio de Piedade (interior paulista) para São Paulo e vimos que as pessoas acionavam o seguro pra trocar pneus do carro e fazer pequenos consertos em casa. Em Piedade, todo mundo sabia fazer isso e ficamos impressionados com essa coisa de chamar alguém pra fazer”, lembra Fulfaro.

Decidindo mudar um pouco esse quadro e já inspirados em um movimento que se tornava popular na plataforma de vídeos – postagem de conteúdos que ensinavam uma infinidade de coisas – o casal deu início ao canal e ao site em 2008. “Nós tínhamos a ideia de ideia de ensinar as pessoas a fazerem as coisas em casa”, afirma, acrescentando a importância da plataforma. “Para mim, o mais legal no YouTube é que você encontra muito conteúdo de qualidade: de entretenimento educativo – que é o que o ‘Manual do Mundo’ faz – até vídeos relacionados à educação formal com conteúdos de matemática, física, biologia, português, inglês... É fantástico”, avalia.

História

Prova de que o conteúdo em rede parece mesmo infinito e que a aprendizagem não fica relegada estritamente às curiosidades, o canal “Se Liga Nessa História”, dá uma ajuda grande a estudantes – principalmente aos que estão em ano de vestibular.
Iniciativa dos amigos Walter Solla e Ary Neto, o endereço virtual, que começou apenas com conteúdos de história, se expandiu e hoje já acumula mais de 650 mil inscritos, oferecendo também aulas de Geografia e Filosofia. “Com o início do projeto, foi possível perceber que os alunos precisavam de ajuda nessas outras disciplinas também”, conta Solla. Para ele, o segredo para o sucesso da empreitada está no formato do conteúdo e na paixão pelo projeto. “As pessoas se identificaram com nosso jeito de ensinar e se identificam com nossa luta”, comemora. 

Multitemática

Não é segredo para ninguém que a música é, desde a fundação da plataforma, em 2005, uma das forças do YouTube. Mas para além dos videoclipes lançados por artistas no site, existe também o outro lado da moeda: os infinitos tutoriais que ensinam diversos instrumentos e músicas a um clique de distância.

Uma das iniciativas que reconheceu no YouTube essa possibilidade de ensinar foi o site Cifra Club, maior repositório de cifras da internet brasileira, que funciona desde 1996. “As aulas foram nosso primeiro tipo de produção audiovisual”, conta Lívia Rios, analista de marketing do Studio Sol, responsável pelo site e canal no YouTube.

O que começou com tutoriais de violão e guitarra, acabou se expandindo também. “Atualmente fornecemos também aulas de teoria musical, canto, baixo e bateria, além de conteúdo interativo diverso”, diz Rios, que destaca a recepção do público. “Frequentemente recebemos mensagens de pessoas que aprenderam instrumentos com as aulas”.

Praticidade e simplicidade são atrativos dos conteúdos

Não existe assunto que a administradora de empresas Isabel Ferreira, de 34 anos, não procure no YouTube. “Já fui trocar peças do meu carro e busquei vídeos no site para entender o que significava o barulho que ele estava fazendo, para não ser passada para trás”, conta. “Hoje a pessoa fica mais informada, não que ela ainda não possa ser enganada, mas sites como o YouTube são importantes por termos onde encontrar a informação”, destaca.

A plataforma já serviu também para que ela buscasse ajuda para resolver problemas sozinha. “Já fui instalar uma estante e, ao invés de pagar um técnico, o que me custaria dinheiro, pesquisei e fiz. Às vezes tem a questão da necessidade também”, explica. “Procuro coisas do dia-a-dia, como mexer em um aparelho, quando compro um telefone novo, por exemplo, porque não tenho muita paciência para ler o manual”, diz.

Para além das buscas cotidianas, ela destaca também a plataforma como uma aliada na educação e formação. “Uma época resolvi aprender sobre marketing digital e também recorri ao YouTube. Tem uma praticidade muito grande, os vídeos costumam ser rápidos. Hoje eu não tenho tempo para parar duas horas e ler um livro, então o site acaba facilitando”, diz.

A linguagem utilizada nos conteúdos também é um dos atrativos. A usuária Thais Dias, de 24 anos, conta que o site foi muito utilizado durante sua faculdade. “Acessava para entender algum tema que ainda estivesse difícil após a leitura de livros, que utilizam uma linguagem mais rebuscada”, lembra. “Hoje continuo usando com esse intuito e busco sempre vídeos que utilizam a criatividade para explicar”, acrescenta ela, que também usa a plataforma para aprender outros idiomas. “Nesse caso, procuro aqueles que ensinam e demonstram diálogos e pequenos filmes”. Assídua, Dias ressalta a importância da plataforma. “Ela te possibilita aprender sobre tudo. Mas deve-se estar atendo às informações, porque algumas delas podem estar erradas”, aconselha.