Geraldo Henrique Figueiredo Campos costuma dizer que frequenta o Mercado Central de Belo Horizonte desde o nascimento. O novo diretor-presidente da associação que administra o espaço pertence a uma família que está à frente da loja Ananda, especializada em castanhas e frutas secas, há mais de 50 anos.

Ele assumiu o cargo na semana passada com o intuito de dar sequência ao trabalho da gestão anterior. Um dos focos é a realização de eventos que aproximem a comunidade do centro de compras. O mercado também deve ganhar um espaço infantil para que crianças possam brincar e receber a primeira festa junina dos seus 88 anos de história.

Como é o plano de expansão do mercado?
Temos hoje uma dificuldade com o estacionamento. Existe um fluxo de visitantes muito grande. O prédio é da década de 70. Estamos adaptando, fazendo melhorias para atender as pessoas da melhor forma possível. Apresentamos um projeto, que atualmente está em análise na prefeitura, para ampliar o estacionamento. A proposta dobraria a quantidade de vagas. A ideia é não ter nenhuma alteração do que vemos no mercado. Esses andares começariam acima. Porém, existem regras do uso e ocupação do solo. É preciso se adequar a isso. É complexo, estamos numa área de restrições construtivas. 

Qual será o investimento?
Ainda não sabemos. O projeto está em fase de conclusão. Hoje, vemos que seriam menos andares do que imaginávamos anteriormente. Não tem como chegar a um valor sem o projeto aprovado.

Quais são as propostas que você traz para essa nova gestão?
Dar continuidade ao trabalho que vinha sendo feito. Fiz parte da gestão passada como diretor-financeiro. Queremos caminhar no sentido de melhorar a eficiência da máquina administrativa. A associação é responsável pela manutenção do espaço comum. As lojas têm as atividades comerciais. Cada uma no seu segmento, mas a associação não vende nada, é uma prestadora de serviços. Nós administramos o estacionamento e as áreas comuns. Fazemos a limpeza, segurança e uma série de serviços para receber cerca de 30 mil pessoas por dia. Também temos 300 câmeras de segurança e um projeto de contenção e combate a incêndio, além de um gerador sobressalente para garantir energia às áreas comuns. 

E quais são as novidades que a associação está trazendo?
Estamos preparando um espaço kids, ainda sem previsão de inaugurá-lo. Quando as pessoas vierem ao mercado poderão deixar os filhos brincar em um local seguro. Ele ficará em um espaço intermediário, que fica entre o estacionamento e as lojas. Vamos realizar a segunda edição da Corrida e Caminhada do Mercado Central, que será em 2 de julho. Ano passado foi bem bacana, a corrida termina em frente ao mercado, com música, cervejinha e fígado acebolado. Estamos com expectativa de ter um público maior do que em 2016, quando tivemos 2.500 inscritos. Também vamos realizar a primeira festa junina. Estamos começando a planejar o evento, mas ainda não há uma data definida. Essa é uma demanda da comunidade.

O Mercado Central de Belo Horizonte recebe, em média, 30 mil pessoas por dia; aos sábados, o número sobe para 50 mil e, por ano, são mais de 12 milhões de visitantes

Em 1964, o Mercado Municipal foi comprado por um grupo de comerciantes e deixou de pertencer à prefeitura de Belo Horizonte. Hoje quem são os donos do estabelecimento e como se dá a administração?
É uma associação constituída por 490 associados que, a cada quatro anos, elege um conselho de administração com 31 integrantes. O associado possui cotas. Sendo dono de uma cota, ele tem o direito de uso da área correspondente. Ele pode utilizá-la, mas também pode alugar, emprestar, transferir o direito, vender. Não é um imóvel do ponto de vista técnico-jurídico, mas funciona como tal.

Desde o ano passado, o país passa por uma grave crise econômica. Isso tem impactado no mercado? Lojas precisaram ser fechadas?
Há pouco tempo, vi uma reportagem sobre lojas fechadas em shoppings, falando em taxa de desocupação. Temos um número muito pequeno de lojas fechadas. Hoje, a desocupação não chega a 2%. Além disso, algumas estão deverão ser abertas. Estamos vivendo um momento recessivo, que impacta a economia como um todo, mas temos conseguido manter um bom fluxo de pessoas. Por isso, o mercado continua com vigor e vitalidade mesmo em um cenário de crise. Fizemos um bom trabalho de divulgação, de realização de eventos. Ele gerou bom movimento, receptividade. Conseguimos enfrentar a crise de peito aberto, mas não podemos acomodar.

Qual é o perfil das novas lojas que têm chegado ao mercado?
Não existe um movimento único. Existem lojas mais sofisticadas, por exemplo. Hoje tem uma que vende cafés especiais. O queijo artesanal, produto dos mais relevantes no mercado, também passou a ter sofisticação. O produto, de diversas regiões de Minas Gerais, tem processos de maturação diferentes. São lojas que acompanharam o setor nesse sentido, ficando mais sofisticadas. Esse é um mercado que, ao mesmo tempo, se mantém tradicional, mas também sofisticado.

Qual é o seu posicionamento sobre a venda de animais no Mercado Central? O que poderia ser feito para sanar essa questão?
Esse é um assunto que, como foi judicializado, preferimos não falar, uma vez que existem decisões em análise que serão julgadas. O que podemos falar é que a comercialização de animais é legal, não é uma atividade ilegal.

Houve alguma mudança nas lojas desde que começou o processo que pede a proibição de venda de animais?
O setor de animais é muito pequeno e está em um único ponto, tem apenas oito lojas. Com o passar do tempo, os comerciantes foram se adaptando às exigências sanitárias.