O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou neste sábado (1º) que não tem nenhuma conta no exterior que tenha recebido recursos ilícitos da empresa Odebrecht. Em entrevista coletiva realizada na sede do partido em Brasília, o tucano informou ainda que encaminhará hoje ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, pedido de acesso à integra da delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Junior.

De acordo com reportagem da Revista Veja deste fim de semana, Benedicto Junior afirmou em depoimento que a construtora fez depósitos para o Aécio, numa conta de Nova York operada por sua irmã, Andrea Neves. Conhecido como BJ, Benedicto é um dos 78 executivos da empreiteira a firmar acordo de delação premiada com a Justiça. 

"A afirmação é falsa, irresponsável, criminosa, porque isso não existe nem em Nova York, nem em outra parte dos Estados Unidos, nem em qualquer outra parte do mundo", afirmou Aécio, acompanhado dos advogados Carlos Velloso e Aristide Junqueira.

"Estou peticionando hoje ainda ao ilustre ministro Fachin do Supremo Tribunal Federal para que ele permita acesso imediato à delação desse cidadão, senhor Benedito Junior, para que nós possamos saber o que ali consta, para que eu possa exercer meu direito constitucional à defesa", ressaltou o senador. "Espero que o ministro Fachin possa rapidamente nos permitir acesso a esses documentos para nós, de forma muito clara, demonstrarmos aonde está a verdade. Estejam ou não na delação essas afirmações, elas são falsas", emendou. 

Ao falar sobre o conteúdo da reportagem da revista Veja, Aécio informou que o seu advogado Alberto Zacharias Toron entrou em contato ontem com o defensor de BJ, Alexandre Wunderlich. 

Segundo nota distribuída por Toron, Wunderlich afirmou que não havia na delação de seu cliente qualquer referência à irmã de Aécio, nem sobre a conta em Nova York. De acordo com Toron, em razão da cláusula de confidencialidade, Wunderlich afirmou que não poderia falar com a imprensa nem mandar mensagem com o conteúdo da conversa realizada por telefone. 

Relação

Na coletiva, Aécio não negou conhecer BJ, mas disse que a relação deles era apenas formal. "Eu o conhecia como conhecia o senhor Marcelo Odebrecht, como conhecia outros dirigentes de outras empresas públicas. Seria muito estranho se eu não o conhecesse, mas era uma relação absolutamente formal, sem nenhuma intimidade", assegurou. 

Potencial candidato à presidência da República em 2018, o senador considerou que o episódio não irá atrapalhar na disputa. "Acho que não. Ano que vem é ano que vem. Nós estamos ainda longe", finalizou. 

Contrapartida

Segundo a reportagem da Revista Veja, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura afirmou que os valores foram entregues a Aécio como "contrapartida" ao atendimento de interesses da construtora em obras da Cidade Administrativa, do governo de Minas Gerais, realizadas entre 2007 e 2010, e da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, de cujo consórcio participa a Cemig, a estatal estadual de energia elétrica. 

No texto, a revista diz que confirmou a denúncia de BJ com três fontes distintas, todas ligadas ao processo de delação.

Leia mais:

Delator diz que Aécio Neves recebeu propina da Odebrecht

'Lava Jato': STF arquiva citação de Sérgio Machado sobre Aécio Neves