Mesmo de volta ao Senado, o futuro de Aécio Neves (PSDB) parece estar mais atrelado a questões jurídicas do que eleitorais. Recentemente, aliados do tucano e até o presidente interino do diretório nacional da sigla, Tasso Jereissati, aventaram que a vontade do senador seria viajar por Minas Gerais para recompor a base eleitoral com vista às urnas em 2018. Deputados federais próximos do ex-governador em Minas, porém, dizem que ainda não há clima para Aécio empreender andanças por aqui.

Após reunião em que o mineiro afirmou ao cearense que não iria renunciar ao comando do partido, Tasso disse aos jornalistas que Aécio iria para Minas “trabalhar full time em dois pontos: sua defesa e reanimar sua base”. Para os deputados mineiros, no entanto, o objetivo primordial do senador é se defender das acusações – pelo menos até 9 de dezembro, data da eleição do novo presidente da sigla.

Incômodo

Aécio foi salvo de um afastamento do Senado pelos colegas em 17 de outubro. Porém, as investigações da “Lava Jato” e as gravações em que dele pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS, ainda causam desconforto dentro do partido. “A acusação, para nós, ainda que não o tenha transformado em réu, é algo que nos incomoda profundamente”, diz o deputado federal Domingos Sávio (PSDB), presidente do diretório estadual, acrescentando que Aécio vem colocando como prioridade “provar que é inocente”.

O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), para quem Aécio vive “o momento mais difícil da carreira política”, diz que não há nenhuma agenda do senador por Minas, com exceção de um seminário sobre gestão pública em Contagem que deve ocorrer após o feriadão.

Já Sávio, que deve tentar a reeleição para o PSDB estadual no próximo dia 11, diz que também não se sabe se Aécio tentará um novo mandato ao Senado ou um retorno à Câmara. Certo é que não concorrerá à Presidência – tanto do PSDB nacional quanto do próprio país.

“Acho que a gente não pode esperar do Aécio uma definição até o início do ano que vem. Até lá, ele terá concluído e tornado pública a sua defesa”, afirma Domingos Sávio. A reportagem tentou contato com a assessoria de Aécio, mas não conseguiu confirmar a agenda do senador por Minas.

Cúpula

Até o momento único candidato para o PSDB nacional, o governador de Goiás, Marconi Perillo, próximo a Aécio, tem apoio tanto de Sávio quanto de Pestana. Ambos o consideram capaz de unificar o partido.
Mas Jereissati, que lidera a ala tucana anti-Temer, pode entrar na briga.

 

Sem nome forte para o governo, PSDB conversa com Dinis, Lacerda e Pacheco

Enquanto os tucanos esperam a definição do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) pela candidatura ou não ao governo do Estado, conversas do PSDB por alianças envolvem atores distintos como o peemedebista Rodrigo Pacheco, o ex-presidente da Assembleia Dinis Pinheiro (PP) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, do PSB.

“É muito cedo para dizer como vai ser a configuração eleitoral, mas nós estamos dialogando de forma muito embrionária com aliados como o Dinis Pinheiro, com o PMDB do Pacheco, o PSD do deputado (federal) Marcos Montes e o PSB do Marcio Lacerda”, conta Marcus Pestana, que diz que deverá surgir uma forte alternativa de oposição a Fernando Pimentel.

O problema em formar uma aliança de “notáveis” na corrida do ano que vem pelo Palácio Tiradentes, porém, é justamente a vontade de muitos entrarem na briga como cabeças de chapa.

O deputado federal Rodrigo Pacheco, por exemplo, tem sido alvo de assédio de diversos partidos, com o próprio PSDB. O racha no PMDB de Minas, que se divide entre a ala pró e contra Pimentel, pode complicar a candidatura de Pacheco pelo partido. Interlocutores garantem, no entanto, que o “plano A” do parlamentar é ser governador de Minas.<EM><QA0>

Lacerda

A vontade de Marcio Lacerda não é diferente. “O fato de ser empresário e ter uma história honesta, mas com essa experiência exitosa no serviço público, me posiciona bem para a disputa”, disse o ex-prefeito de BH ao Hoje em Dia. Segundo ele, há, sim, conversas informais com tucanos, que têm demonstrado uma “simpatia grande” nas andanças de Lacerda por Minas. “Mas tenho trocado ideias com pessoas de praticamente todos os partidos”, disse.