O desemprego aumentou em Minas Gerais mais do que a média do Brasil no primeiro trimestre deste ano em comparação com os três últimos meses de 2017, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o levantamento, a taxa de desocupação no Estado no período foi estimada em 12,6% (1,42 milhão de pessoas), com 2 pontos percentuais de elevação sobre a taxa registrada entre outubro e dezembro passados. No país, o mesmo indicador ficou em 13,1%, mas apenas 1,3 ponto percentual superior ao último trimestre de 2017 (11,8%).

Apesar disso, segundo o professor de economia Glauber Silveira, do Ibmec Minas, quando comparados apenas os primeiros trimestres de 2017 e 2018, tanto Minas quanto o país registram queda no nível de desocupação, sendo que o Estado apresentou situação mais favorável que a média nacional. Nessa base de comparação, o número de desocupados mineiros foi reduzido em 1 ponto percentual ante uma queda de 0,6 ponto percentual no país.

“Isso mostra que, mesmo que ainda estejamos sentindo os efeitos da grave crise iniciada em 2015, com um nível relativamente alto de desocupação, Minas Gerais está em uma situação menos grave que a do Brasil”, afirma Silveira. “O motivo é que estamos conseguindo gerar crescimento em alguns setores, como a agropecuária e indústria mineira, sendo que esta última está gerando mais empregos que a brasileira”, acrescenta.

No caso da atividade econômica que reúne agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, a ocupação em Minas teve variação positiva de 1,8% (20 mil vagas a mais) em relação ao último trimestre de 2017 e de 2,9% (33 mil vagas) na comparação com o mesmo período do ano passado. Já na indústria houve ligeira queda na taxa de ocupação entre o primeiro trimestre deste ano e o quarto de 2017 (0,2%), mas aumento de 3,1% sobre o volume registrado nos três primeiros de 2017 (40 mil trabalhadores a mais).

Sexo e raça
Ainda segundo o IBGE, do total desocupados em Minas, no primeiro trimestre, 47% eram homens e 53%, mulheres. A taxa de desocupação feminina atingiu 15%, superior à observada para os homens, de 10,7%.

Em relação à cor ou raça, 67,9% eram de pessoas de cor preta ou parda, ao passo que esse grupo representava 60,5% da população na força de trabalho no Estado. A taxa de desocupação dos pretos (15,5%) e pardos (13,9%) continuou substancialmente superior à estimada para os brancos (10,3%). 

 

Crise leva ao corte de 53 mil postos de trabalho na construção

O setor que mais apresentou queda na taxa de ocupação, em Minas Gerais, na comparação entre os dois últimos trimestres, foi o da construção. De acordo com a Pnad Contínua, a redução foi de 6,7%, o que representa 53 mil pessoas a menos trabalhando nessa atividade – enquanto, no país, a retração atingiu 327 mil trabalhadores. 

O segmento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas também teve forte retração no Estado: 5,1% de elevação na desocupação (94 mil empregados dispensados em relação aos últimos três meses do ano passado, ante 396 mil em todo o país).

“No caso do comércio, uma das explicações para a queda da taxa de ocupação é a sazonalidade, já que tradicionalmente o setor faz muitas contratações de temporários no fim de um ano e dispensas no início do seguinte”, explica o coordenador do Pnad em Minas Gerais, Gustavo Fontes. Como justificativas para as dispensas no setor de construção, a crise econômica continua sendo a principal.

“Trata-se do segmento que mais demora a se recuperar em uma situação econômica adversa como a que vivemos nos últimos anos, já que demanda alto investimento. Como as famílias ainda não se sentem seguras para adquirir imóveis, o mercado reflete esse clima e fica estagnado”, diz o professor Glauber Silveira, do IBMEC. 

Outras atividades que apresentaram queda no primeiro trimestre em Minas, em relação aos três últimos meses de 2017, foram do grupamento composto pela administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-3,2%). Já em comparação ao primeiro trimestre de 2017, estimou-se, nesses mesmos segmentos, aumento de 8,3% das pessoas ocupadas.