Mesmo com o quadro de indefinição sobre o futuro do Aeroporto da Pampulha, a Infraero trabalha para incrementar a oferta de serviços no terminal, que nos últimos tempos foi relegado às moscas. Novas lojas estão sendo atraídas pela estatal, que também estuda a possibilidade de instalação de um centro de convenções e edifício-garagem em imóveis do entorno do aeroporto.

Atualmente, o terminal, que voltou a receber jatos nesta semana, com voos da Gol ligando a capital a São Paulo, com escala em Juiz de Fora, tem somente uma cafeteria no saguão principal, além de três locadoras de veículos.

Em 2016, a Infraero chegou a anunciar um contrato para uma lanchonete de produtos com preços populares para o aeroporto, mas o negócio não foi adiante devido à indefi-nição sobre as operações no terminal.

No momento, mais duas cafeterias (uma para a área de embarque e mais uma para o saguão) estão em fase de assinatura de contratos e devem ter as obras de instalação iniciadas nas próximas semanas, segundo a Infraero. Já dentre os estabelecimentos em fase de licitação estão empório de produtos regionais, loja de artesanato, livraria, além de um estande de proteção de bagagens. A estatal também prepara novo edital, para as próximas semanas, com chamado para outras seis lojas: chocolateria, perfumaria, choperia, petiscaria, biscoiteria e ótica.

O desafio da estatal é garantir aos empresários o fluxo de passageiros necessário para não verem seus negócios naufragarem.
Na última quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) manteve, por 5 votos a 3, uma cautelar que estabelece a restrição de voos interestaduais de jatos na Pampulha, pelo menos até que elementos técnicos mais detalhados sobre operações no terminal sejam apresentados.

No último dia 18, com base em outra decisão do TCU, o Ministério dos Transportes já havia voltado atrás na liberação de voos de rotas diretas entre estados, o que fez com que a Gol improvisasse uma escala em Juiz de Fora para as viagens entre Congonhas e a Pampulha – que a companhia começou a operar na última segunda.

A alternativa da Gol ainda divide opinião dos passageiros. “Essa questão da baldeação, de última hora, não foi legal. Agora prefiro ir até Confins. Mas se o voo fosse direto, preferiria por aqui”, disse a pesquisadora de análises clínicas Juliana Silva, que vem de Congonha a BH a cada dois meses, por questões profissionais.

“Mesmo tendo de pousar em Juiz de Fora, na Pampulha é muito mais prático para chegar em casa”, afirmou a cuidadora de crianças Antônia Paula Magalhães, que desembarcou na Pampulha após férias em São Paulo.

As demais companhias aéreas estão de olho no desempenho da Gol para definir os próximos passos. Questionada sobre utilizar estratégia semelhante à da concorrente, a Azul confirma que “em breve, fará comunicações sobre os mercados que pretende operar no aeroporto”. Mais comedida, a Latam diz que a companhia acompanha a reabertura dos voos no terminal. “Qualquer novidade a respeito de novas operações na localidade será comunicada oportunamente”, informou, em nota.

 

Decolagem definitiva do terminal está nas mãos da Justiça

Para o vice-presidente da comissão de Direito Aeronáutico da OAB-MG, advogado Alessandro Azzi Laender, é preciso que a contenda entre a Infraero e seus apoiadores, de um lado, e a BH Airport, concessionária de Confins, e os seus aliados, de outro, seja resolvida para que possibilidades de melhoria no terminal, de fato, avancem.

“A preocupação maior é que o aeroporto tenha uma estrutura para receber bem os passageiros aos moldes do Santos Dumont, no Rio, e Congonhas, em São Paulo, sem inchaço, mas com conforto”, afirma Laender, que deixa clara a necessidade de entender a Pampulha como um terminal regional, que opera poucos voos e apenas para as capitais próximas e cidades do interior de Minas.

Alimentam a insegurança jurídica acerca do terminal os questionamentos na Justiça da BH Airport, que vê a retomada da Pampulha como quebra de contrato da concessão de Confins, e a mobilização de moradores do entorno, que também foi parar nos tribunais. As reclamações são relativas ao barulho, à segurança e à interferência do fluxo de passageiros no trânsito local.

Investimento

Buscando transparecer otimismo com o desfecho do caso, a Infraero tem avaliado a possibilidade de aproveitar instalações na área do aeroporto para que elas possam ser exploradas comercialmente.

Sem dar detalhes sobre a proposta, a estatal afirma que estudos iniciais feitos por ela apontam que a região do Aeroporto da Pampulha pode receber centros comerciais, edifício garagem, centro de eventos, “dentre outros empreendimentos”. A aposta é aproveitar a proximidade com a UFMG e abocanhar as viagens de executivos para a capital para a realização de eventos.

Enquanto os sonhos mais altos não decolam, a empresa precisa dar conta de questões básicas para o funcionamento do terminal. Embora, por exemplo, os banheiros recém reformados estivessem limpos na última quarta-feira, os passageiros que transitavam pelo saguão de entrada se esforçavam para limpar o suor que brotava das têmporas, devido a um sistema de ar condicionado que parecia inoperante.

“O aspecto do terminal está bem cuidado, diferente de quando vim aqui da última vez, há muitos anos. Mas faltam mais opções de lojas, produtos locais e lanchonetes”, dizia a publicitária Eliana Catta Preta, enquanto enxugava a testa e aguardava para embarcar para São Paulo com marido e dois filhos.