Já perdi as contas de quantas vezes critiquei a transmissão automatizada da Magneti Marelli, que a Fiat batizava de Dualogic e agora chama GSR. E depois de 10 anos, ainda é difícil se acostumar com essa transmissão que utiliza um mecanismo robotizado para fazer as vezes do pedal de embreagem e a alavanca do trambulador. Além da Fiat, só a Volkswagen (I-Motion) ainda utiliza a caixa da Marelli por aqui. A General Motors, que foi a pioneira no equipamento com a chamada Easytronic, abriu mão em nome da automática de seis marchas.

Mais uma vez nos encontramos com a famigerada transmissão. Agora no Argo Drive 1.3 GSR. O compacto italiano já mostrou eficiência com a combinação de motor 1.0 e caixa manual, tal como comodidade nas opções com motor 1.8 e transmissão automática de seis marchas (com conversor de torque), que é excelente.

Particularmente, considero caixa GSR mais adequada para os irmãos de menor garbo: Uno e Mobi. Para esse segmento a caixa é mais que satisfatória. Afinal, qualquer coisa é melhor que ficar chacoalhando a alavanca em dias de congestionamento. 

Mas no Argo, o ideal seria oferecer apenas a transmissão automática, como a Chevrolet faz com a linha Onix e Prisma. No entanto, são os marqueteiros de Betim, com suas planilhas, que realmente sabem se a transmissão robotizada se encaixa na linha do Argo. 

Se considerarmos a estratégia adotada para o modelo, que é fazer frente em flancos distintos, como os compactos de entrada em que se posicionam Onix e HB20 e também fazer frente a modelos mais qualificados, como Fiesta, 208 e Polo, há uma razão para se oferecer a caixa GSR. 

O Argo 1.3 automatizado parte de R$ 58.900, enquanto a versão 1.8 com caixa automática de seis velocidades tem preço inicial de R$ 67.800. Esse salto de quase R$ 10 mil já é a razão para se ter a opção na linha. 

Soluços
No entanto, o grande senão dessa caixa são os engasgos entre uma troca e outra. Além disso, ela tem uma programação de troca que verifica o giro do motor e a pressão do acelerador. O sistema entende que quando a pressão é mediana e o giro sobe de forma gradativa, há um pico para a troca. 

Às vezes isso acontece numa ladeira, ou muitas vezes segura a marcha numa descida. E nem sempre a caixa obedece a ordem das borboletas. 

Raio-x Fiat Argo Drive 1.3 GSR

O que é?
Hatch compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na planta de Betim (MG).

Quanto custa?
Entrada: R$ 58.900
Testado: R$ 60.800

Com quem concorre?
O Argo Drive 1.3 GSR se posiciona entre hatches compactos que dispensam caixa manual. Seus concorrentes são Chevrolet Onix LT 1.0 AT6 (R$ 56.890), Hyundai HB20 Comfort Plus 1.6 AT6 (57.830), Nissan March SV 1.6 CVT (R$ 56.990), Toyota Etios X 1.3 AT4 (R$ 51.870) e Volkswagen Fox Connnect 1.6 I-Motion (R$ 58.150).

No dia a dia
O Argo é um compacto bem ajustado, que oferece bom nível de conforto para quatro ocupantes. O acabamento é simples, com plásticos duros para todos os lados. A versão já vem com sistema multimídia de série, que oferece conexão nos padrões Apple CarPlay e Android Auto, mas aboliu o navegador GPS nativo. Quem quiser mais recursos da telinha precisa pagar R$ 1.400 pela câmera de ré. A Versão Drive 1.3 GSR fica no meio do caminho entre as opções mais espartanas e as mais sofisticadas, mas não deixa a desejar em conteúdo diante da Precision e HGT. 

Motor e transmissão
O motor Firefly 1.3 de 109 cv e 14,2 mkgf de torque é um dos melhores já feitos pela marca, ao lado da versão 1.0 três cilindros. A unidade entrega muito torque em baixas rotações que se mostra excelente em cidades de topografia sinuosa, como Belo Horizonte e adjacências. <EM>

No entanto, boa parte desse vigor se perde no conflito com a caixa automatizada GSR. Além dos engasgos rotineiros, a impressão que se tem é que caixa e motor não conversam muito bem. Como já foi dito, melhor seria deixar a caixa robotizada para Uno e Mobi e ofertar, e ofertar apenas a automática de seis velocidades no Argo.

Como bebe?
Abastecido com álcool, ele registrou média de 12.4 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário.

Suspensão e freios
A suspensão do hatch italiano segue o “padrão” com eixo rígido na traseira e independente McPherson na frente. O acerto privilegia o conforto, mas ele se mostra bastante estável em curvas de maior velocidade, na faixa dos 110 km/h. Já os freios contam com disco na frente e tambor na traseira.

Pontos positivos
Consumo
Montagem

Pontos negativos
Lista de conteúdo de série escassa
Transmissão GSR