“Não senti nenhuma queda de preço no meu bolso e acho que nenhum brasileiro também”, alerta o microempreendedor Luiz Carlos. “Não observei esta queda de preços, pelo contrário algumas coisas voltaram a subir”, referenda o administrador Adelson Arcanjo.

O Hoje em Dia foi a campo e ouviu consumidores sobre a percepção acerca dos preços praticados no mercado. A sensação é de que não houve queda. Pode não parecer, mas estamos em deflação. 

A princípio parece uma boa notícia: preços em queda. Mas não é. Com o anúncio oficial de um índice negativo no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de 0,23% , o Brasil experimentou a deflação. De acordo com o IBGE, a primeira em 11 anos. Já em Belo Horizonte, o IPCA registrou deflação em três meses. Em fevereiro (-0,43%), abril (-0,46%) e junho (com -0,07%). E o levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) mostra quais os produtos em queda livre (veja infográfico).

Para os economistas, os consumidores, acostumados à inflação alta e os constantes reajustes nos preços custam mesmo a perceber queda nos preços.

“É o sintoma de uma grave doença. E a deflação é muito pior que a inflação”, alerta o doutor em Economia, Cláudio Gontijo. Ele sustenta que os indicadores econômicos sinalizam para a permanência neste quadro de deflação. “Isso é resultado de queda na demanda. Ou seja, as pessoas estão consumindo menos porque estão sem dinheiro”, explica. Gontijo cita números recentes que embasam sua tese. As horas trabalhadas caíram 7%, a massa salarial (soma de todos os salários pagos aos trabalhadores durante o ano) caiu 6% e as consultas ao SPC sofreram queda de 6,6%. Tudo nos últimos 12 meses. 

Juros

O também economista João Santiago endossa a tese de Gontijo sobre a queda na demanda – leia-se baixo consumo – e vai mais além: “Faltam investimentos. Este governo quando gasta, gasta mal”, afirma.

Para Santiago, da diretoria do Sindicato dos Economistas do Estado de Minas Gerais (Sindecon-MG) com a inflação anual abaixo do objetivo - 4,08% para uma meta estipulada em 4,5% - os juros deveriam cair muito mais, justamente para incentivar a produção e o consumo. Segundo Gontijo, a taxa Selic “pelo contrário, aumentou em termos nominais”. E os dois acrescentam que não há nenhum sinal, por parte do Banco Central, de que as taxas vão cair mais.

Os dois são de uma linha que defende a injeção de recursos públicos na economia como receita contra a deflação, mas são céticos quanto a ações do atual governo neste sentido. 

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