Em 2014, três amigos de infância, já adultos, viram-se em mais um bate-papo sobre a situação socioeconômica do Brasil. As reclamações eram praticamente as mesmas: políticos corruptos, economia em crise e poucas soluções efetivas perto de tantos problemas. Sentindo-se responsáveis e cheios de vontade de fazer algo para mudar um pouco que fosse a situação, eles decidiram criar uma startup e desenvolver um modelo de negócio que pudesse ajudar causas sociais. Pronto. Estava criada a Risü, uma plataforma de comércio eletrônico em que o cliente pode comprar produtos diversos em mais de 150 lojas parceiras (o número só vai crescendo) e escolher uma causa para ajudar com parte do dinheiro da compra. (www.risu.com.br)

Lucas Borges, um dos criadores, define o negócio. “A Risü é um shopping online do bem onde conectamos pessoas, causas sociais e lojas online. Nós transformamos parte do valor das compras em doações”.  Para que o negócio saísse do papel, ou melhor, da tela dos notebooks, no início os amigos foram atrás de ongs e associações. Na lista de instituições beneficiadas estão Leuceminas, Hospital da Baleia, Cãoviver e Associação Quatro Patinhas, entre outras. 

Navegando pelas lojas cadastradas, o consumidor pode comprar roupas na C&A, remédios na Drogarias Araújo e eletrodomésticos no Ponto Frio. “Levamos o cliente até a loja, e ele compra normalmente, mas escolhe antes qual causa vai ajudar. Somos um negócio social que utiliza o e-commerce como base de impacto social.”  A startup fatura com o pagamento de comissão repassado pelas lojas, por terem sido indicadas, mas já recebeu US$ 60 mil de investidores privados dos Estados Unidos e US$ 28 mil do programa startup Chile. Até o fim do ano, a Risü espera entregar R$ 50 mil em doações para as ongs e associações. 

Ao lado de Lucas e seus amigos, outras pessoas, a maioria jovens, tentam desenvolver ideias para mudar o mundo ou ganhar dinheiro. A Risü é uma das 40 aprovadas para a terceira rodada de fomento do Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed), o único programa público de aceleração de startups do Brasil, que reúne empreendedores do mundo inteiro em Belo Horizonte. 
De acordo com a Secretaria de Estado, Ciência Tecnologia e Ensino Superior há, atualmente, mais de 400 startups em Minas Gerais. 
Os participantes do Seed recebem incentivo financeiro, mentoria, espaço de coworking e a oportunidade de aprender com grandes empreendedores. 

O programa foi criado em 2013 e chega à sua terceira edição com os objetivos de fortalecer a cultura empreendedora, acelerar o desenvolvimento do ecossistema de startups e incentivar ideias e negócios inovadores no estado. Já passaram pelo SEED 176 empreendedores de 19 nacionalidades diferentes. Ao todo, o programa acumula 73 startups já aceleradas nas duas primeiras rodadas, sendo 53 brasileiras e 20 estrangeiras. Juntas, essas startups receberam mais de R$ 10 milhões em investimentos até meados de 2015.

 

Uma mineira entre os ‘30 abaixo de 30’ da Forbes Brasil

Entre os empreendedores que se inscreveram para o Seed, há uma dupla mineira reconhecida internacionalmente. Roberta Vasconcellos e o irmão Pedro Vasconcellos fizeram sucesso quando lançaram a plataforma social TYSDO – Things you should do (ou Coisas que você deveria fazer, em português). Nela, o usuário é encorajado a listar seus desejos e compartilhá-los no próprio site e no Facebook. 

TIM TIM – Pedro e Roberta Vasconcelo

 Pedro e Roberta Vasconcelos, criadores do BeerorCoffee: o invés de paqueras, uma oportunidade de novas amizades

Depois, as pessoas podem postar incentivos, receber dicas e comemorar as metas atingidas.A criação rendeu a Roberta, publicitária, pós-graduada em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e CEO da TYSDO, aos 26 anos, um lugar na lista “30 abaixo de 30” da revista Forbes Brasil, que elenca os jovens que se destacam em negócios ou ações que ajudam a “reinventar o país”. 
Hoje, aos 28 anos, ela faz parte do Global Shapers, uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial de Jovens Líderes de 20 a 30 anos para a criação de projetos de impacto em suas comunidades.

Roberta, Pedro e o sócio Eric Santos foram selecionados para o Seed com o aplicativo para dispositivos móveis Beerorcoffee. 
“A ideia é reunir pessoas que queiram trocar boas ideias sobre assuntos em comum enquanto tomam um café ou uma cerveja”, explica Roberta, atuante na comunidade San Pedro Valley. O aplicativo utiliza a geolocalização dos smartphones e indica pessoas próximas que poderiam ser convidadas para um bate-papo.

O Beerorcoffee também vem ganhando apoio de fora. No programa de aceleração Startup Chile, ele foi selecionado entre 3.600 inscrições e recebeu US$ 35 mil de incentivo. No Brasil, já recebeu aporte de R$ 90 mil da Sebraetec (Serviços em Inovação e Tecnologia) do Sebrae, que aproxima os prestadores de serviços tecnológicos dos pequenos negócios. 

 

Aplicativos entregam facilidade e vivem de comissões dos negócios fechados

Duas startups têm chamado atenção. A Eu Neném (www.eunenem.com) ajuda os pais na hora de fazerem o chá de bebê. Sua promessa é evitar inconvenientes como presentes repetidos e desnecessários.Ricardo Basques, um dos sócios, explica como funciona. “A plataforma www.eunenem.com não entrega o produto, mas recolhe crédito e o repassa à mãe. Assim, ela pode comprar o que for realmente necessário.” O serviço já foi usado por mais de 36 mil mães. 

 

A plataforma www.eunenem.com se inscreveu no Seed de olho na possibilidade de internacionalização. “Temos a expectativa de concretizar a expansão para países de língua espanhola. Para 2017, nossa previsão é de R$ 2 milhões em faturamento e parceria com mais lojas”, conta Ricardo. Os sócios levam uma porcentagem repassada pelas lojas indicadas. 

 

Outra startup quer ajudar as pessoas a se deslocarem no trajeto casa-trabalho. A ideia da Bynd (www.bynd.com.br) surgiu depois que cinco amigos, que moravam em uma república em São Paulo, viajaram, em um carro, por mais de 70 mil quilômetros de território americano. Quando voltaram, decidiram empreender em uma startup de caronas corporativas. “Se você fala que a pessoa vai pegar carona com alguém da própria empresa, ela sente-se mais segura”, comenta Leonardo Libório, um dos fundadores. 

Eu Neném

Equipe da Eu Neném facilita a vida das mamães pela internet