A concorrência acirrada no setor de transportes após a chegada dos aplicativos de celular beneficiou o consumidor. Uma portaria publicada pela BHTrans obriga os táxis a portarem máquinas de cartão de crédito e débito desde julho de 2016. No entanto, embora os taxistas garantam que oferecem o serviço e até considerem o dinheiro de plástico vantajoso, consumidores reclamam que nem sempre encontram carros com a modalidade de pagamento disponível. Há, ainda, os passageiros que desconhecem a determinação da BHTrans.

A obrigatoriedade está expressa no Regulamento do Serviço Público de Transporte de Táxi do Município de Belo Horizonte, uma espécie de caderno de regras do setor. Conforme a BHTrans, o motorista que descumprir a determinação soma um ponto no prontuário (que pode acumular 20) e paga multa de R$ 27,01 a partir da segunda incidência. Após a terceira, ele tem o direito de dirigir o veículo suspenso.

Os taxistas afirmam ter aprovado a determinação. Conforme o presidente do sindicato, Avelino Moreira, foi realizada uma parceria com a Caixa para levar a máquina a todos os motoristas. “Ele paga R$ 9,90 ao mês e as taxas são boas. O custo não é justificativa para não ter a máquina. Hoje, todos têm. E tem as vantagens de não precisar de troco e de ser mais seguro”, afirma o representante da categoria. O Hoje em Dia percorreu seis pontos de táxis em regiões diversas em BH. Todos os motoristas consultados possuíam o equipamento.

Taxista há 35 anos, Carlos Roberto Abreu utiliza a máquina antes de começar a vigorar a determinação. “A maioria dos clientes paga em dinheiro, mas a utilização do cartão também é grande”, comenta.

Segundo o diretor do Cinova, Sérgio Luiz, os 70 motoristas que atuam no ponto, localizado no Cidade Nova têm máquinas. Ele admite, no entanto, que às vezes o papel do aparelho acaba. Ou a máquina fica sem bateria. “Eu acho que nesse caso o motorista deve assumir a culpa. Eu mesmo já deixei de receber corrida porque a máquina parou de funcionar”, diz.

O jornalista e estudante de direito Bruno Marques não teve a mesma sorte do passageiro de Sérgio Luiz. Em uma semana, ele pegou quatro táxis e não conseguiu pagar com o cartão em nenhum. “Eles tinham a máquina, que seria mostrada em caso de blitz. Mas, na hora de pagar, não aceitaram o cartão e disseram que eu tinha que ter avisado antes. Falaram que a máquina não estava funcionando”, lamenta.

A produtora cultural Flávia Pestana ficou surpresa com a obrigatoriedade da aceitação de cartões pelos táxis. Ela, que usa o serviço com frequência, afirma que nunca viu comunicado da BHTrans no interior dos veículos, ou campanha que informasse o direito ao consumidor.

“Deveria haver uma comunicação melhor para informar os clientes dessa obrigatoriedade. Sempre que saio à noite uso aplicativos na volta porque costumo pagar com cartão de crédito ou débito e fico receosa de o táxi não ter a máquina. Acaba que fiquei refém dos aplicativos. Eu pegaria mais táxis se soubesse disso antes”, critica. (Colobarou Lucas Borges)

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