No esporte é comum a prática da “aposentadoria da camisa” para homenagear a indumentária dos atletas que tiveram grande história num time. Na indústria, o nome de um carro lendário não chega a ser aposentado, mas seu uso só é repetido em situações muito especiais. É o caso do BMW M1, o modelo futurista que nasceu para as pistas em 1978.

O M1 se tornou um mito na indústria automotiva e no automobilismo, tanto que a BMW volta e meia ensaia um sucessor para ele, mas nunca conseguiu chegar a um resultado final. E se não há sucessor para o M1, seu nome também é algo sagrado. Tanto que, quando a marca apresentou a versão M para o Série 1 Coupé, seu no nome de batismo foi Série 1 M Coupé. E para não ter confusão o atual caçula se chama M2.

Parceria
O M1 foi projetado, em princípio, em uma parceria com a Lamborghini. O projeto de desenvolvimento avançou, mas em determinado momento as partes entraram em atrito e a BMW acabou ficando com o carro na mão. Como já tinha sido prevista uma produção mínima para homologar o carro junto à FIA, a marca alemã resolveu fabricar as 20 unidades de competição e colocar no mercado as cerca de 400 unidades excedentes. 

Oportunidade
Para a BMW, a “batata quente” do M1 poderia ser um problema, mas ela tinha em mãos um chassi desenhado pelos italianos (que trabalharam na Lamborghini e fundaram uma empresa para finalizar o carro), para instalar um motor central traseiro, em posição transversal (como no Miura), que garantiria excelente distribuição de massas, sendo que a frente restava somente, radiador e bateria. Arquitetura que se converteria em performance nas pistas. 

Assim, a versão de competição foi lançada em 1978 para competir no BMW M1 Procar Championship, criado justamente para dar finalidade ao carro. Em 1979 começaram a se entregues as unidades de rua.

Imortal
Ao contrário do Procar, que contava com largas tomadas de ar para o radiador, para-lamas alargados e um grande asa, o M1 “citadino” tinha linhas minimalistas e futuristas, assinada por Giorgetto Giugiaro. 

Era um carro de “bico” afilado, faróis escamoteáveis e motor central traseiro (uma unidade de seis cilindros 3.5 litros de 277 cv, M88, que contava com corpo de borboletas individuais para cada cilindro, que lhe fazia acelerar a até 260 km/h) protegido por uma persiana, assim como nos carros. 

O M1 era um cupê extremamente exótico para a época, principalmente quando se tratava da indústria alemã. Ao todo foram construídas 433 unidades homologadas para uso urbano. 

A Procar teve apenas duas edições, uma vencida por Niki Lauda e outra por Nelson Piquet. Depois os carros foram destinados a outras modalidades e receberam preparações, que consistiam na instalação de turbocompressor em que se estimava que sua potência podia superar os 800 cv. Uma unidade em perfeito estado de conservação pode custar mais de R$ 2 milhões.