A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, se reuniu pela manhã desta terça (10) por cerca de uma hora com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, para tratar sobre a crise nos presídios do país. A reunião não constava nas agendas dos ministros. O encontro durou cerca de uma hora. 

É a primeira reunião de que se tem notícia entre o diretor da PF e a presidente do STF para tratar da crise nos presídios que eclodiu no dia 1º de janeiro com o assassinato de 56 detentos durante rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. 

Cármen Lúcia tem mantido conversas diárias com Alexandre de Moraes. Ela também fala com frequência por telefone com o presidente Michel Temer. No sábado, recebeu Temer em sua casa para tratar do assunto. 

A PF atua em monitoramento e inteligência na investigação sobre as facções que dominam o tráfico de drogas no Brasil. Um relatório elaborado pela PF entre 2014 e 2015 e que embasou a Operação La Muralla -que prendeu líderes das facções- já apontava o confronto crescente entre PCC (Primeiro Comando da Capital) e FDN (Família do Norte). 

"Diversas mensagens interceptadas deixam claro que a FDN possui uma forte relação ou aliança com o Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Estado do Rio de Janeiro, e uma espécie de rixa com os membros da facção Primeiro Comando da Capital - PCC, existindo, inclusive, planos para o assassinato de todos os membros desta organização criminosa paulista que se encontram presos em Manaus (pelo menos três das principais lideranças do PCC foram brutalmente assassinados nos últimos meses pela FDN dentro do sistema, conforme se verá mais adiante)", informa o relatório da PF. 

Nesta terça, a Força Nacional chegou a Manaus e a Boa Vista para reforçar a segurança dos presídios.


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