Com a escassez de recursos imposta pela proibição de doação de empresas às campanhas eleitorais, os candidatos ao governo de Minas, que chegavam a gastar até R$ 20 milhões com marqueteiros, além dos desembolsos excessivos com aluguéis de comitês, material gráfico, carros e todo o aparato para levar acampanha às ruas, agora apostam no horário eleitoral gratuito e no marketing digital, onde devem desembolsar no máximo R$ 1 milhão.

Segundo o cientista político Malco Camargos, com a imposição do limite de gastos – hoje R$ 21 milhões por candidato para os dois turnos – os pretendentes ao Palácio da Liberdade têm que procurar otimizar os gastos.

“Eles têm que saber dimensionar os recursos. Antes, os gastos chegavam a até R$ 20 milhões apenas com marqueteiros. Hoje, os candidatos podem desembolsar entre R$ 50 mil e R$ 1 milhão com um equipe de marketing digital”, afirma.

O cientista político considera que as atuais campanhas devem investir menos em material gráfico, cabos eleitorais e até mesmo em alugueis, inclusive em regiões nobres da cidade.

Já o publicitário André Lacerda, presidente do Sindicato das Agências de Propaganda (Sinapro-MG), afirma que são várias as estratégias a serem utilizadas pelos partidos, que não necessariamente se excluem. “Uma coisa que todos têm em comum neste ano é que ninguém tem dinheiro. O restante, passa pela criatividade de improvisar com os recursos disponíveis e fazer mais com menos”, afirma. 

Segundo ele, é preciso construir uma presença ativa nas redes sociais, avaliando o comportamento dos seguidores e ofertando informação de qualidade sobre o trabalho do candidato. Além disso, os candidatos devem redobrar o trabalho “corpo a corpo” e estar preparados para fazer um bom programa de televisão. 
“A tevê, além das redes sociais, será muito importante nestas eleições. Como o tempo é curto para fazer campanha, é preciso aproveitar ao máximo o veículo de massa para apresentar as propostas a um grande número de eleitores”, explica.

Estrategias

O PSDB, que na última eleição, em 2014, gastou R$ 40,3 milhões quase o dobro do limite atual, para a candidatura de Pimenta da Veiga, decidiu substituir parte do investimento em ações tradicionais, como os santinhos dos candidatos, por uma boa equipe de marketing digital. 

Para o deputado Marcos Montes (PSD), candidato a vice-governador na chapa tucana ao lado de Antonio Anastasia, a falta de verba e a eleição mais curta tornam as redes sociais o melhor espaço para explorar a história dos candidatos. 

“A melhor forma de fortalecer a nossa presença dentro daquilo que a legislação permite é investir no ambiente virtual, esse é o caminho. Teremos santinhos, todos os recursos clássicos, mas em escala menor. As redes sociais, por outro lado, estão mais fortes que nunca”, afirma.

‘Vaquinhas’ e recursos do fundo também são alternativas

O Partido do Trabalhadores (PT) informou ontem que as redes sociais serão uma ferramenta importante e essencial neste ano na comunicação com os eleitores. Em nota, a legenda afirmou que, além da campanha na tevê e no rádio, o candidato à reeleição Fernando Pimentel irá se utilizar da comunicação interativa e direta promovida pela internet para apresentar seu programa de governo.

Ontem, o PT realizou também um jantar de adesões no restaurante Raja Grill, no bairro São Bento, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, uma das primeiras ações da legenda para arrecadar recursos. Na última campanha, que o consagrou governador, a verba foi de R$ 53,4 milhões, 61% a mais que o limite deste ano. 

O candidato pessebista Marcio Lacerda, que trava uma queda de braço com o diretório nacional do PSB, conta principalmente com os recursos do Fundo Eleitoral para financiar a corrida ao Palácio da Liberdade.

Já o partido Novo, que indiciou Romeu Zema à disputa ao governo de Minas, optou por não usar as verbas do fundo partidário. Desse modo, o empresário vem custeando do próprio bolso as viagens pelo Estado. Zema também revela que o partido conta com uma série de apoiadores que contribuem com uma quantia fixa por mês para viabilizar a campanha, além de contar com doações e recursos angariados pelas “vaquinhas” virtuais. O candidato estima arrecadar entre R$ 1,5 milhão e R$3 milhões para financiar a disputa pelo governo.

Rede

O candidato da Rede Sustentabilidade ao governo, João Batista Mares Guia, também afirmou que sua campanha será financiada basicamente pelos recursos do Fundo Eleitoral e pelas doações legais permitidas pelo TSE. A Rede tem direito a receber R$10,6 milhões do Fundo. 

Para conquistar o eleitor, Mares Guia aposta no corpo a corpo. Segundo a assessoria do partido, o candidato já viajou por 150 municípios mineiros. Ele vai também intensificar a campanha na Região Metropolitana de Belo Horizonte a partir da terceira semana de agosto.
A reportagem tentou contato com Dirlene Lopes, candidata ao governo pelo PSOL, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta edição.