A onda de ataques de criminosos a policiais pode ter chegado a Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Seis carros, entre eles dois de militares lotados no 19º Batalhão da PM e dois que pertenceram a militares, foram queimados na madrugada de ontem, espalhando pânico entre os moradores.  “Estamos investigando se há conexão entre esses ataques e os do PCC, que começaram por São Paulo, mas é cedo para afirmar”, informou o delegado regional, Alberto Tadeu.

Os ataques começaram por volta das 3h, no bairro Cidade Alta, região conhecida como Morro da Copasa, e se estenderam ao Soares da Costa, bairros vizinhos e próximos ao centro comercial.

De acordo com a ocorrência, foram incendiados os carros de um sargento e o de um soldado da PM, além de outros dois veículos que pertenceram a policiais militares e foram vendidos recentemente. Foram atacados também o carro de um segurança particular patrimonial e a caminhonete de um morador, estacionada em frente à casa de um detetive da Polícia Civil.

Moradores teriam visto dois homens em uma moto preta nas imediações dos incêndios, mas ninguém foi preso até o fim da tarde de ontem.

Inteligência

Levantamentos do setor de inteligência da Polícia Civil mineira mostram que há, no Estado, pelo menos 242 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) – organização criminosa paulista que atua a partir de presídios.

Desse total, 178 estão presos, distribuídos em penitenciárias, inclusive com lideranças no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), na Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá, no Norte de Minas.

No alvo

No último fim de semana, o Hoje em Dia recebeu informações de que o PCC, a exemplo do que aconteceu em São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo, estaria se articulando para deflagrar ataques contra bases policiais e contra integrantes das polícias Civil e Militar de Minas.

O Hoje em Dia teve acesso à carta “Salve Geral”, com data de 5/11/12 e apreendida em um presídio do Triângulo Mineiro. No documento, a “Família 1533 PCC” conclama os companheiros a iniciar uma onda de ataques e atentados em Minas, contra os “vermes”, em alusão a policiais.

Pelo planejamento, o Estado foi dividido em três regiões: a metropolitana de BH, o Triângulo Mineiro e a Sul. No documento, há uma lista com 12 nomes de policiais militares e seis policiais civis marcados para morrer. Quem cumprir a empreitada receberia uma “bonificação”.

O estopim para a ordem teria sido os maus-tratos que os detentos estariam recebendo em penitenciárias mineiras e a morte de um dos “irmãos” do PCC.
 
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