A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deu mais um passo rumo à concretização do plano de desinvestimentos elaborado para reduzir as dívidas da companhia.Por R$ 649 milhões, vendeu a Cemig Telecom, braço de telecomunicações da estatal. A empresa norte-americana American Tower e a mineira Algar Soluções levaram os dois lotes oferecidos.

A American Tower fez uma proposta de R$ 571 milhões pelo primeiro e maior lote, um ágio de 70,4% sobre o valor mínimo. Essa parte arrematada abrange a rede óptica da companhia em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de infraestrutura de pontos de presença e equipamentos da rede.
A rede comprada pelos americanos é robusta. Em março de 2015, a Cemig Telecom concluiu um investimento de R$ 40 milhões para toda a rede de fibra ótica da companhia com a tecnologia DWDM, capaz de aumentar em até três vezes a velocidade das conexões. 

Já a Algar Soluções levou o segundo lote com lance de R$ 77,89 milhões, um ágio 139% em relação ao mínimo fixado de R$ 32,4 milhões. Nesse lote estavam reunidos ativos nas regiões metropolitanas de Goiânia (GO), Recife (PE), Salvador (BA) e Fortaleza (CE).

No total, 17 empresas se interessaram pelo certame, mas apenas Algar, American Tower e Claro se habilitaram a participar da disputa. Esta última decidiu não apresentar nenhuma proposta.

A Cemig tem cerca de 6,3 mil km de cabos ópticos em redes metropolitanas (dentro das cidades) e 11,6 mil km de cabos ópticos de longa distância. A empresa atende cerca de 100 cidades em sete estados diferentes. Recursos poderão ser apresentados até 16 de agosto.

Dívida
A dívida consolidada da energética é de R$ 12,8 bilhões, com custo nominal de 8,72% ao ano.A relação da dívida líquida pelo lajida (geração de caixa) é de 3,56 vezes. Este número indica a capacidade de a empresa honrar compromissos e, consequentemente, pegar dinheiro no mercado. Abaixo de 4 vezes indica que será mais fácil conseguir crédito.

Para quitar a dívida, um ambicioso plano de desinvestimentos foi elaborado. A intenção é vender todos os ativos que não estejam no core business da companhia, ou seja, tudo que não seja diretamente ligado à geração, distribuição e transmissão. 

Energia
Ao lado da venda da subsidiária de telecom, a Cemig anunciou que vai realizar em setembro outro leilão.Agendado para o dia 20 do próximo mês, o certame será voltado para o fechamento de contratos de 10 ou 20 anos para a compra da produção futura de usinas eólicas e solares. A previsão é que o fornecimento tenha início em janeiro de 2022. 
Com Agência Brasil