A conhecida chef de cozinha carioca Roberta Sudbrack denunciou, neste sábado (16),  a apreensão e o descarte pela vigilância sanitária de 160 quilos de alimento, que seriam vendidos em um estande do Rock in Rio, na capital carioca, neste fim de semana. De acordo com a cozinheira, eleita a melhor chef mulher da América Latina em 2015, os produtos - queijos e linguiças artesanais brasileiros - foram jogados fora pelo órgão de fiscalização, pois não teriam "um carimbo um selo, uma coisa qualquer". 

A denúncia veio a público nas primeiras horas da madrugada desse sábado, por meio redes sociais da chef, que contabiliza quase 80 mil seguidores no Facebook e mais de 140 mil no Instagram. Segundo Roberta Sudbrack, conhecida pela alta gastronomia e considerada uma das principais chefs do país, ela montou um estande no festival com os produtos adquiridos dos mesmos fornecedores há pelo menos 20 anos. 

Conforme a denúncia, compartilhada, até o momento, por mais de 20 mil pessoas somente no Facebook, a Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro teria invadido o local onde os produtos estavam expostos e decretado que eles não poderiam ser comercializados. "Sem nenhum bom senso ou razoabilidade, jogaram fora mais de 80Kg de queijo dentro da validade, assim como 80kg de linguiça fresca e previamente aprovada pelo controle do evento Rock in Rio", escreveu no post.

No texto, ela afirma que todos os produtos haviam sido inspecionados pelos órgãos sanitários dos estados de fabricação e comercialização. De acordo com ela, no entanto, o órgão estadual alegou estar faltando um carimbo ou selo que viabilizasse a venda. "Estou fechando minha operação no Rock in Rio porque a minha ética, o meu profissionalismo e as minhas convicções não me permitem ver uma cena dessas. Comida da melhor qualidade sendo jogada fora enquanto pessoas morrem de fome no mundo", desafabou a chef. 

Ela informou no texto que entrará com uma liminar na Justiça para salvar o restante da mercadoria guardada no estoque. Se comprometeu, ainda, a doar o material.

Posição da fiscalização

A Vigilância Sanitária municipal do Rio de Janeiro afirmou que o estabelecimento Sudbrack Gastronomia, da chef Roberta Sudbrack - um dos principais nomes da área gourmet do Rock in Rio -, sofreu sanções com base na legislação nacional, conforme a lei 7.889 de 23 de novembro de 1989. Em nota, o órgão disse que técnicos encontrarem alimentos que não possuíam registro para comercialização dentro do município do Rio de Janeiro, o Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Segundo o texto, os 160 quilos de alimentos irregulares que seriam disponibilizados imediatamente à população foram impedidos de ser comercializados. "Já os 850 kg de alimentos encontrados no local de estoque, fora da área do evento, foram lacrados para impedir a comercialização".

O órgão fiscalizador informou que será encaminhado um ofício ao Ministério Público para que seja definido o destino desses alimentos, "que entraram de forma ilegal no município". A vigilância destacou que Roberta Sudbrack não foi proibida de comercializar alimentos nos próximos dias de evento, desde que adquira produtos adequadamente registrados.

"De acordo com o artigo 4º da lei 7.889, de 23 de novembro de 1989, apenas produtos oriundos de estabelecimentos registrados pelo Ministério da Agricultura estão habilitados ao comércio interestadual e internacional. No estabelecimento Sudbrack Gastronomia foram encontrados produtos de origem animal (linguiça e queijo) sem os devidos registros. Segundo o artigo 12 do decreto 6235 de 30 de outubro de 1986, todo alimento só deve ser exposto ao consumo se estiver devidamente registrado em órgãos competentes."

A Vigilância Sanitária afirmou que, antes do Rock in Rio, foram realizadas três grandes reuniões com todos os fornecedores e uma reunião específica com os fornecedores de alimentos, para orientação quanto às regras de conduta.

Nota oficial do Rock in Rio

A organização do Rock in Rio informa que é responsável pelo mix de produtos oferecido ao público, garantindo uma oferta variada. Fica, porém, a cargo das marcas o cumprimento das normas previstas pelos órgãos competentes.

Leia o texto publicado no Facebook de Roberta Sudbrack: