Pela primeira vez desde a fundação do PSDB, em 1989, o partido deve sair para uma eleição sem a cabeça de chapa na disputa pelo governo de Minas. Fragilizada pelas denúncias contra a sua principal liderança no Estado, o senador Aécio Neves, alvo de inquéritos na “Lava Jato”, a legenda se divide entre as articulações das candidaturas do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro (PP), e do deputado federal Rodrigo Pacheco (MDB), tido como favorito. Para encarar a empreitada, Pacheco pode trocar de partido. Tudo indica que a mudança será para o DEM durante a janela de transferências partidárias, que se encerra em 7 de abril. Mas o cenário ainda reserva incertezas.

No PSDB, o senador Antonio Anastasia (que apesar de bem avaliado em pesquisas descarta concorrer ao Palácio da Liberdade) e o presidente da sigla no Estado, o deputado federal Domingos Sávio (que não descarta totalmente Anastasia), estão entre os principais entusiastas da parceria com Pacheco, que mantém o discurso oficial de se lançar pelo MDB.

Mas o MDB de Pacheco segue dividido. Numa frente, o vice-governador e presidente da legenda, Antônio Andrada, ladeado por parcela dos deputados federais, fala em candidatura própria. Em outra, deputados estaduais e o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, um dos principais fiadores do governador Fernando Pimentel (PT), defendem a a aliança com os petistas.

“Existe uma ala numericamente inferior na executiva estadual que defende uma candidatura própria. No entanto, essa ala tem o apoio dos prefeitos e das lideranças de base do MDB. É uma situação de conflito ideológico em relação a duas teses possíveis. Mas considero que o sentimento verdadeiro é de uma candidatura própria”, diz Pacheco, que, embora não assuma publicamente, aguarda o desenrolar do impasse para resolver a sua transferência.

Dinis

A outra parcela do PSDB mineiro, que trabalha pela candidatura de Dinis, tem entre seus nomes o deputado federal Marcus Pestana (que tem coordenado a pré-campanha de Dinis). Mas a possibilidade de ceder a uma vaga de vice ou ao Senado não é descartada.

“Estamos dialogando com Marcio Lacerda (PSB), com o Rodrigo Pacheco e o Dinis. A ideia é criar um bloco único da oposição”, diz Pestana, que inclui o ex-prefeito de BH no possível arco de alianças. Dinis Pinheiro mantém o tom de conciliação. “Conversa temos com todo mundo. Sou um nome da construção e do diálogo, não estou postulando nada. O que quero é dar uma contribuição para reconstruir Minas”, diz.

A citação de Dinis a Lacerda, não é gratuita, já que outra composição possível é junto ao líder do PSB. “Hoje há um diálogo mais forte com o deputado Dinis. Temos sempre um canal de dialogo aberto, inclusive com a possibilidade de uma futura composição” reconhece João Marcos Lobo, presidente do PSB-MG.

Colaborou Fábio Corrêa

“Dizer que o PSDB está rachado é uma especulação. Neste momento não é prudente um partido como o nosso se colocar de forma antecipada. É preciso responsabilidade e ouvir todos os cenários possíveis”
[ASS__OLHO]Domingos Sávio
[FUN__OLHO][FUN__OLHO][/FUN__OLHO]Presidente do PSDB-MG

PRÉ-CANDIDATOS – Postulantes ao Palácio da Liberdade, Dinis Pinheiro (PP) e Rodrigo Pacheco (MDB) dividem a preferência