A empresa vencedora da licitação municipal para auditar as contas da BHTrans, abrindo a chamada “caixa-preta” da empresa, deve iniciar os trabalhos no princípio de abril. 

A informação foi dada ontem pelo líder do governo Alexandre Kalil na Câmara Municipal, o vereador Leo Burguês (PSL). De acordo com ele, a empresa Maciel Consultores, única proponente do processo, já concluiu duas das três etapas da licitação: aprovação de preço e entrega de documentação.

“Já chegamos à última fase, na qual a BHTrans está esperando prazo para ter algum tipo de embargo”, afirmou Burguês. “Como não teve nenhuma outra empresa na concorrência, é muito difícil que isso ocorra”, acrescentou.

O líder do prefeito anunciou a quase conclusão do processo em meio a grande polêmica na Câmara, que envolve a proposta de criação de uma CPI para investigar as contas da empresa municipal. 

O pedido para instalação da CPI, iniciativa do vereador Gabriel Azevedo (PHS) – que nos últimos dias foi protagonista e alvo de confusões na Casa Legislativa –, contava, até a semana passada, com 13 das 14 assinaturas necessárias para que a proposta seja efetivada. Ontem, porém, três dos signatários – os vereadores Fernando Borja (Avante), Flávio Santos (Pode) e Carlos Henrique (PMN) – já haviam manifestado intenção de retirar seus nomes da proposta.

O Movimento Tarifa Zero voltou, ontem, a questionar a metodologia a ser usada na nova auditoria da BHTrans. “Vão repetir o modelo de auditoria feita em 2015, que custou R$ 2 milhões e simplesmente não visitou as empresas”, disse a representante do movimento, Juliana Afonso.

 

Troca de farpas acirra ânimos na Câmara Municipal

 Câmara Municipal vive, nos últimos dias, clima de guerra entre vereadores da base do governo, da oposição e os chamados independentes. Tudo começou com a divulgação, pelo vereador Gabriel Azevedo (PHS), ex-aliado do prefeito, de uma gravação do secretário de Desenvolvimento e ex-presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno.

No telefonema entre Azevedo e Nepomuceno, o secretário supostamente confirmaria troca de favores com o também vereador Jair di Gregório (PP) para garantir seu apoio a projetos da prefeitura.

O favor, no caso, seria a seleção do filho do vereador para integrar as categorias de base do Atlético-MG. Azevedo também estaria acusando outros colegas de receber da Belotur em troca de apoio ao prefeito.

Nessa segunda-feira, aliados de Kalil foram à forra e, em meio a ofensas ao colega, mostraram reportagem de um jornal paulista, segundo a qual Azevedo estaria prestando consultoria de campanha extemporânea, e cobrando por isso, a candidatos recrutados por movimentos sociais por meio da RenovaBR.

“Eu mesmo fui ao Ministério Público Eleitoral, na manhã de segunda-feira, e pedi que me investigassem em relação ao que diz a reportagem”, defendeu-se Azevedo, ontem. 

“Não há nada de irregular no aplicativo que criei e as pessoas sabem disso, mas estão tentando me retaliar em razão dos problemas que venho apontando”, acrescentou.

O líder de Kalil, Léo Burguês (PSL), ironizou: “Ter ido ao Ministério Público é ridículo da parte dele e prova que é um grande marqueteiro, ainda mais porque sabe que o MP deve investigá-lo de qualquer jeito”, afirmou. (E.M.)