A inadimplência deve continuar a subir neste ano, em um ambiente de queda da atividade econômica e alta das taxas de juros, conforme projeção do Banco Central (BC).

De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (24) pelo BC, em janeiro, a taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) das famílias chegou a 6,2%. No caso das empresas, a taxa ficou em 4,7%.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a inadimplência, principalmente de pequenas e médias empresas é mais expressiva. No caso das famílias, Maciel classificou o crescimento da inadimplência de “relativamente modesto”, em um cenário de retração da economia e aumento do desemprego.

Maciel disse que o aumento da inadimplência tem ocorrido de forma gradual, o que permite aos clientes dos bancos renegociar as dívidas e às instituições financeiras fazer adequações no nível de provisionamento (reserva de recursos para situação de inadimplência).

Juros

Segundo Maciel, o aumento das taxas de juros ocorre por influência de diversos fatores, como o crescimento da inadimplência. Ele enfatizou que as alterações nos juros do crédito não ocorrem somente por influência da taxa básica de juros (Selic), que não sido elevada pelo BC nos últimos meses.

Em janeiro, a taxa média de juros cobrada das famílias subiu 2,4 pontos percentuais em relação a dezembro e ficou em 66,1% ao ano. De acordo com Maciel, a alta da taxa média é “puxada” pelos juros do crédito rotativo (cartão de crédito e cheque especial).

A taxa de juros do rotativo do cartão de crédito subiu 8,1 pontos percentuais de dezembro para janeiro, quando atingiu 439,5% ao ano, a maior já registrada na série histórica do BC, iniciada em março de 2011. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. A taxa do cheque especial chegou a 292,3% ao ano, com alta de 5,3 pontos percentuais.

Maciel recomenda aos consumidores evitar o crédito rotativo, parcelando a fatura quando não é possível fazer o pagamento total ou tomar outra modalidade de crédito com taxas mais baixas. “O crédito rotativo deve ser usado com extrema cautela, em prazo curto de tempo para que isso não onere o orçamento pessoal”, enfatizou.

Retração do crédito

Em janeiro, o saldo de todas as operações de crédito concedido pelos bancos caiu 0,6% e ficou em R$ 3,199 trilhões. Esse valor correspondeu a 53,7% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB).

“O crédito no início do ano mostrou retração moderada, o que é relativamente comum para os meses de janeiro. Atinge principalmente o crédito às empresas. No início do ano, tem um um ciclo de atividades em ritmo menor do que em outros períodos. Gradativamente isso [o saldo] vai crescendo”, disse Maciel.

Ele acrescentou que a “retração da atividade econômica que tem se observado desde o ano passado” também influencia a redução do saldo do crédito. “Além dos outros fatores que já estavam presentes [no ano passado], como menor ritmo de atividade econômica, elevação do custo de crédito, tem a questão da sazonalidade”, destacou Maciel.