A competitividade da energia nuclear chama a atenção. Enquanto o megawatt-hora (MWh) de uma usina movida a óleo diesel se aproxima de R$ 600, nas nucleares ele sai por aproximadamente R$ 250. Quase um terço do montante. Essa diferença reflete diretamente na conta do consumidor.

Afinal, quando os níveis dos reservatórios estão mais baixos é necessário acionar as térmicas, cujos combustíveis custam mais caro do que a água, que alimentam as hidrelétricas. Neste caso, é acionada a bandeira vermelha, que pesa no bolso do contribuinte. Sem contar os impostos (só de ICMS são 42%), a cada 100 KWh consumidos são cobrados R$ 4,50.

Em contrapartida, os custos de construção das usinas chegam a US$ 5 bilhões, o equivalente a R$ 20 bilhões, e demoram até 10 anos para ficar prontas, incluindo estudos, licenças e construção. “Mas compensa”, garante o chefe da Assessoria para Desenvolvimento de Novas Centrais Nucleares da Eletronuclear, Marcelo Gomes.

E depois?

As usinas nucleares têm vida útil de 40 anos. Devido à tecnologia, é possível prorrogar por mais 20 anos. Durante este período, a empresa cria um fundo de reserva para que a geradora seja desmontada no futuro. A área pode ser regenerada ou pode abrigar uma nova usina.

“Tudo ainda está na fase dos estudos. Assim que houver uma indicação certa de local, partiremos para a parte das discussões com a comunidade e governo”, ressalta Marcelo Gomes. Ele concorda que o assunto gera polêmica, mas garante que quanto mais se conhece sobre energia nuclear, maior é a aceitação por esse tipo de geração.

“As pessoas que trabalham nas usinas de Angra (RJ) moram e criam seus filhos nos arredores da usina. Acreditam na segurança de lá. É fundamental um diálogo para discutir os anseios e as angústias da população, mas, mais ainda, é necessário informação”, ressalta. Ele garante que a tecnologia utilizada é segura. Gomes comenta que até hoje, no mundo, foram registrados três acidentes graves.

Lixo radioativo

Uma das maiores preocupações é com relação aos rejeitos produzidos pelas nucleares. Os leves, são estocados próximo ao reator. O representante da Eletronuclear comenta que, por ano, o volume produzido é equivalente a uma Kombi. Os pesados, muito perigosos, são colocados em um prédio anexo ao reator, dentro de uma espécie de piscina.

O diretor de Relações Institucionais da Coppe e Mestre em Engenharia Nuclear Luiz Rosa Pinguelli ressalta que o destino do lixo radioativo é uma incógnita no mundo inteiro. Na Suécia, o rejeito é colocado em um depósito geológico profundo para que ele se desfaça em alguns milhares de anos. “Mas, e se houver algum deslocamento de placa tectônica? Tudo pode vir à tona”, alerta o especialista, referência internacional em energia nuclear.

Ainda de acordo com ele, construir uma usina nuclear às margens de um rio é um risco grande, haja visto o recente acidente ocorrido com a barragem Fundão, da mineradora Samarco, que afetou todo o rio Doce. “Imagina se fosse algo radioativo?”, diz Pinguelli. Ele comenta que a tecnologia utilizada em Angra 1 e Angra 2 é segura, de ponta, no entanto, toda tecnologia tem riscos.