Depois de desconversar sobre o assunto por meses, o deputado federal e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), admite a possibilidade de se candidatar ao governo de Minas, no ano que vem. A hipótese de disputar um posto de menor protagonismo, como o de vice, também não é descartada. O deputado condiciona a candidatura, no entanto, a um projeto de governo classificado por ele como “unificador”.

“A hipótese de haver uma candidatura é somente se houver um grupo político com consenso de ideais. Se eu for esse nome, estarei muito honrado e estarei pronto para enfrentar”, diz.

Pacheco reforça a necessidade de o projeto de governo ter unidade. “É fundamental que quem pretenda se eleger tenha um projeto para o Estado, que seja um projeto de liderança, com planejamento, que vislumbre os grupos políticos”, ressalta.

Levar Minas Gerais ao protagonismo nacional também é importante, diz o parlamentar. “Minas Gerais é muito dividido. Se não for assim, nada muda, continua como está, sem protagonismo. Eu estou à disposição para estar nesse projeto. Não necessariamente como o principal nome”, diz.
O parlamentar pondera que, devido aos trabalhos realizados na CCJ, ele tem optado por não falar sobre o assunto no momento. “Jamais me utilizaria de uma denúncia contra alguém para fazer pré-campanha”, enfatiza.

É impossível negar, no entanto, que a presidência da Comissão atraiu ainda mais holofotes para Pacheco, que é um conhecido advogado, tem 41 anos e está em seu primeiro mandato.

Questionado sobre a possibilidade de se candidatar por outro partido, o parlamentar não descarta a hipótese. O PSDB é um dos grupos políticos mais cotados para receber Pacheco. Ele garante, no entanto, que não houve convite ou conversa formal sobre a mudança de legenda.
“Posso me candidatar pelo PMDB, e deve ser por ele, mas também pode ser outro partido. Não há convite do PSDB, embora eu tenha bom relacionamento com eles”, afirma.

Longe da “Lava Jato”
Fontes de bastidores, porém, revelam que o presidente da CCJ avalia a possibilidade de migrar para um partido de menor porte, sem ligações com a “Lava Jato”.

CCJ
Com relação à CCJ, que analisou denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção na semana passada, Pacheco é enfático ao afirmar que não se sentiu pressionado pelo governo. Na avaliação do presidente da CCJ, o fato de ele ter dito, inúmeras vezes, que não admitiria intervenções e que trabalharia pelo país, foi fundamental para barrar qualquer tipo de tentativa de influência nos trabalhos da Comissão.

“Acho normal que manifestações de preferência aconteçam em uma Casa política. Porém, desde o primeiro momento, deixei claro que não aceitaria interferências. Cumprimos o nosso prazo, fomos democráticos para que todos exercessem o direito à fala. Criamos um ambiente tranquilo e qualificado. Há quem tenha gostado do resultado e há quem o tenha desaprovado, mas todos reconhecem o bom trabalho”, destaca.

Vale lembrar que a escolha de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) por Pacheco como relator do processo foi considerado um ato de independência partidária, já que Temer tinha outros nomes. Zveiter recomendou a admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar o presidente.