Quando conversou com o repórter, terça pela manhã - horário do Brasil -, Mariana Ximenes estava no Museu Nacional do Prado, em Madri. Ainda não havia chegado à pérola das coleções - a ala dedicada a Velázquez, com obras célebres como o retrato de Felipe III e Las Niñas. "Estou chegando", disse. E o que Mariana está fazendo na capital espanhola? "Vim fazer um curso com um coach, um cara muito bom chamado Corazza." Embora jovem, e apreciada pelo público e pela crítica, Mariana acha que, como atriz, é preciso se reinventar. "O Corazza tem um curso que é notável. Trabalha com o corpo e a interpretação, muito García Lorca, estou adorando."

Mariana brinca que o curso é de apenas duas semanas - "Mas acho que vou ficar mais um pouco por aqui". Não se arrisca dizer que domina a língua, mas já ultrapassou a fase de arranhar no portunhol. Afinal, Lorca... Está curtindo a rotina de estudante. Nas horas vagas, faz turismo, como neste momento Prado.

"Madri é uma cidade maravilhosa.Passei uns dias antes em Paris, fiquei no apartamento de um amigo no Marais. Adoro viajar, sabe?" E quem não? A entrevista é para falar de D.P.A. - Detetives do Prédio Azul, que estreia nesta quinta, 13. Mariana gostou muito de fazer o longa que André Pellenz adaptou do próprio programa de TV. E por que Mariana quis fazer o papel? "Você acha que tive escolha? Minhas afilhadas me obrigaram. Você não sabe a febre que é esse Prédio Azul. A criançada curte demais. E eu confesso que me diverti muito fazendo."

Ela já conhecia o diretor, embora nunca tivesse trabalhado com ele. André Pellenz dirigiu o primeiro Minha Mãe É Uma Peça, com Paulo Gustavo, que é o fenômeno que todo mundo sabe. Mesmo assim, Pellenz não foi o típico yes-man, como dizem os norte-americanos. Casado com uma psiquiatra, ele tem uma atração especial pelo tema da família, e é sobre isso que trata o filme com Paulo Gustavo. A família não deixa de estar no centro de Detetives do Prédio Azul. Exibida pelo canal de televisão Gloob, escrita por Flávia Lins e Silva, a série é protagonizada por Pedro Henriques Motta, Anderson Lima e Letícia Braga, e o trio está no filme. Mariana faz a bruxa Bibi da Capa Preta. Durante boa parte do filme, graças a um sortilégio, Mariana aparece metamorfoseada em... Coruja.

"Gostei muito de ser coruja. Minha avó e minha tia sempre tiveram coleções de bibelôs de coruja e eu era fascinada por elas", Mariana explica. Na trama, Pippo, Sol e Bento, o trio de protagonistas, enfrenta o maior desafio de suas vidas, que é justamente salvar o Prédio Azul da destruição. Alguém aí está cantando? Soldadinhos do castelo azul... Toda a confusão começa quando os três se infiltram na festa de Dona Leocádia, a síndica terrível, e testemunham um crime mágico que poderá levar à implosão do prédio. Como parte do imbróglio, Bibi vira coruja e outros mágicos convidados para o rega-bofe também são transformados em animais. Quem segue a série sabe que Mariana integra o elenco do filme. "Achei a história tão gracinha que gostaria de fazer mais", revela.

Dona Leocádia é Tamara Taxman e a vó Berta continua no quadro - interpretada pela grande Suely Franco. O repórter desmancha-se em elogios para Tamara. Está gloriosa. "E eu não sei? Ainda não vi o filme, mas posso acreditar que sim. Tamara é referência antiga para mim. Ela é madrinha de Leandra Leal, que sempre foi uma de minhas melhores amigas. Tamara era uma espécie de madrinha de todas nós", explica com carinho. O momento revelação da entrevista? Mariana está sozinha em Madri? "Estou leve, livre e solta", se você quer saber. Solteira - e estou adorando." Conta que fez dois retiros sucessivos. "Foram ótimos, e isso também faz parte do projeto de me renovar."

E o trabalho, Mariana? "Além do D.P.A. - Detetives do Prédio Azul, tenho mais um filme para estrear, e ponho a maior fé no Grande Circo Místico, do Cacá (Diegues). Vai ser bem bacana." E na TV? "Só tenho programada uma participação na série Zózimo, do Maurício Farias. Vai ser pontual, num só episódio", ela conta. Na verdade, Zózimo, que narra as aventuras de um policial no Rio dos anos 1950 - Vladimir Brichta é o protagonista -, já foi rebatizada pela Globo como Cidade Proibida. De volta a D.P.A., Mariana Ximenes faz a André Pellenz o maior elogio que ele poderia querer. "Encarei (o filme) como o nosso Mary Poppins. E estou torcendo para que seja."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.