Setenta por cento dos dormentes de madeira que são trocados regularmente na Estrada de Ferro Vitória –Minas (EFVM) têm como destino fornos para serem transformados em carvão industrial. Os 30% restantes são recuperados e reutilizados.

A Vale, mineradora que detém a concessão da linha férrea, argumenta que só faz a queima dos dormentes que estão imprestáveis. Entretanto, especialistas no assunto contestam.

Dormentes substituídos na estrada de ferro vitória-Minas viram carvão“Os dormentes duram décadas. Só não podem ser reaproveitados quando não é possível mais apertar os parafusos. A maior parte dos que estão sendo queimados poderia ser reutilizada em trechos que foram saqueados e que podem ser refeitos”, garante uma fonte ligada aos movimentos de preservação e reativação das linhas férreas em Minas Gerais, que pediu anonimato.

R$ 208 milhões

Como a EFVM possui 900 quilômetros de extensão e, em média, são utilizados 1.850 dormentes por quilômetro, há cerca de 1,6 milhão de dormentes na estrada férrea.

Com isso, o valor total dos dormentes instalados na ferrovia seria de R$ 208 milhões. Hoje, cada nova peça de madeira tem preço de mercado de R$ 125.

A Vale não informou quantos dormentes são substituídos a cada ano, nem quantos já foram trocados, mas explicou, por meio de nota, que adota a destinação correta das peças retiradas da estrada de ferro.

“Trata-se de opção adotada pela Vale para dormentes não reutilizáveis na operação ferroviária, classificados como resíduos operacionais e que, portanto, requerem destinação adequada”.

De acordo com a Vale, os dormentes recolhidos nas operações de manutenção da EFVM são levados ao Centro de Distribuição de Materiais de Via Permanente, no Espírito Santo, onde são separados em três categorias.

Os melhores seriam reparados e instalados novamente na ferrovia. Já os que estiverem em bom estado podem ser utilizados em pátios de manobra, enquanto os inservíveis são levados para os fornos.

A mineradora explicou que a queima é realizada no Espírito Santo, por uma empresa especializada, com licença e permissão do órgão ambiental, para que haja o controle dos gases tóxicos e componentes químicos que são liberados no processo.

O Ibama foi procurado pela reportagem do Hoje em Dia para comentar o assunto, mas não se manifestou.