A agricultura de precisão, técnica que considera as variações de dimensão, relevo, clima, localização e outros aspectos das lavouras a fim de permitir o uso racional dos insumos agrícolas, tem proporcionado aos produtores brasileiros uma economia de 20% a até 50% nos gastos com fertilizantes e adubos.

Para a indústria de fertilizantes, porém, o uso racional do produto e a exigência de compostos de matérias-primas simples têm demandado algumas adaptações.

“Sem dúvida, já há uma grande mudança no uso de formulações pelos produtores, impactando, principalmente, nos fertilizantes fosfatados produzidos pela indústria. Por exemplo, no caso da soja, o fertilizante mais usado é composto por três matérias-primas; mas, na agricultura de precisão, os produtores usam três tipos de adubo separadamente, deixando de comprar o usual”, afirma o engenheiro agrônomo da Gaia Fértil – Representações e Agricultura de Precisão, Luciano Resende.

Para amenizar o impacto, a estratégia do setor produtivo de insumos agrícolas tem sido a adaptação à nova tendência, oferecendo consultorias, medição da compactação do solo, análise de lavouras com uso de equipamentos e mapeamento de clorofila e infestação de pragas.

“Vale lembrar que, no Brasil, os solos são, em sua maioria, de baixa fertilidade, portanto, o uso de fertilizantes sempre será uma prática necessária para os agricultores que buscam maiores retornos econômicos”, diz o diretor de comunicação da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Franco Borsari.

Governo faz levantamento das lavouras no país

Apesar das vantagens econômicas e ambientais oferecidas pela agricultura de precisão - o uso racional de insumos industrializados agride menos o solo -, o governo federal ainda não sabe precisar a extensão das áreas dedicadas à prática. Em nota, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento estão medindo as lavouras que empregam a agricultura de precisão.

De acordo com o engenheiro agrônomo Luciano Resende, a técnica prevalece nas regiões de fronteira, onde há mais latifúndios, como no Mato Grosso, Bahia, Tocantins e Piauí.

É dificil quantificar a adoção da agricultura de precisão, mas sabemos que já existem até multinacionais da área de defensivos agrícolas que oferecem o serviço aos produtores como valor agregado”, afirma.