A vida boêmia não é mais a mesma na capital dos botecos. A crise financeira afastou os clientes e obrigou os empresários da gastronomia a buscar novas receitas para sobreviver em meio à turbulência.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), a queda de público chega a 35% de segunda a sexta-feira e a 20% nos finais de semana. Já a margem de lucro está 40% mais magra neste ano. Números indigestos que provocaram um “ajuste fiscal” nos estabelecimentos.

Para fisgar a clientela não só pelo estômago, mas principalmente pelo bolso, vale reduzir o preço da cerveja, substituir ingredientes e fazer promoções do tipo paga um e leva dois.

Proprietário do restaurante Manjericão, Marcos de Castro viu o faturamento da casa despencar 45% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2014. Na outra ponta, os custos fixos deram um salto. Só a conta de luz ficou 90% mais salgada. A saída foi meter a colher no cardápio do chef. “Retirei quatro das 25 opções do bufê e consegui baixar o preço do quilo de R$ 45,90 para R$ 39,90. Salmão e filé mignon não compro mais. Temos que abusar da criatividade e fazer milagre”, diz.

Outra atitude que Castro tomou para enfrentar a crise foi criar o “Meu Almoço”, uma linha popular e moderna de marmitas. “Percebemos que as pessoas estão buscando opções mais baratas. Mas só aceitamos encomendas via WhatsApp”, detalha.

Proprietário do Assacabrasa, que conta com sete casas em Belo Horizonte, José da Costa Carvalho, o Juca, diz que a rede perdeu 20% do faturamento. “O movimento caiu principalmente à noite. Com a inflação e o medo do futuro, as pessoas cortaram o lazer. O jeito foi inventar promoções, passar a fechar mais cedo e reduzir o quadro de funcionários”, revela. Em duas unidades da rede, todos os dias da semana um tipo de tira-gosto sai com 30% de desconto. E o cliente que pedir a Tábua Assa, feita com seis tipos de carne e mandioca frita, ganha uma cerveja.

Loura gelada

No Surubim no Espeto, com casas na Cidade Nova e no Ouro Preto, o corte no preço da loira gelada foi a isca para trazer a clientela de volta. Segundo o gerente geral, Paulo Antônio Lima, o valor da Skol e da Brahma baixou de R$ 6,50 para R$ 6. E outras cervejas que custavam R$ 8,90 agora são vendidas por R$ 7,90.

O estabelecimento também agregou itens mais baratos ao menu. Assim, tilápia, tambaqui e contrafilé passaram a figurar como companheiros do surubim e da picanha.

Também tem promoção a la italiana. Maurizio Gallo, dono do restaurante que leva o seu nome, resolveu presentear a clientela. No pedido de uma massa, o freguês ganha um prato para o acompanhante. A oferta vale para as terças, quartas, quintas e sábados.