O número de inadimplentes em Belo Horizonte teve um aumento de 5,22% em setembro frente ao mesmo período de 2015. Essa é a maior elevação para o mesmo mês desde 2013, segundo levantamento divulgado ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

A entidade não divulga o número de pessoas endividadas na capital. Mas, conforme a pesquisa, na comparação entre agosto e setembro, a elevação na quantidade de pessoas no vermelho foi de 0,66%.

São considerados inadimplentes aqueles que já entraram no cadastro do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) e, portanto, estão impossibilitados de realizar compras a prazo ou tomar empréstimos.

Segundo a economista da CDL, Ana Paula Bastos, o número de endividados é crescente em Belo Horizonte, principalmente, em função da situação econômica do país.

“Estamos com um cenário inflacionário desde 2015 com aumento perceptível do custo de vida da população. Nessas condições, as pessoas acabam não conseguindo arcar com todas as responsabilidades financeiras”, afirma.

O desemprego crescente é outra justificativa para o endividamento. Nas famílias em que um dos integrantes perdeu o emprego, o achatamento da renda é ainda mais drástico.

Perfil

O endividamento é maior entre as pessoas mais velhas. A maioria das dívidas em atraso (30,51%) é de belo-horizontinos com idade superior a 65 anos. Para Ana Paula, a justificativa é a tomada de empréstimo no nome dos aposentados. Algo ainda bastante comum nas famílias brasileiras.

Já na outra ponta, entre os mais jovens, a situação é inversa. Entre aqueles que têm de 18 a 24 anos, a inadimplência caiu 24,56% em setembro frente ao mesmo período de 2015. Entre os que têm de 25 a 29 anos, também houve um recuo, porém menos expressivo (-0,61%).

Na população entre 40 e 49 anos, normalmente composta por chefes de família, houve uma elevação de 9,36%. As mulheres conseguiram arcar com os compromissos financeiros com maior facilidade do que os homens. A pesquisa mostra que a inadimplência dos homens subiu em 5,04% e a das mulheres, em 4,97% no ano.

Natal

E esse descontrole financeiro deverá ser revertido em um Natal mais magro em Belo Horizonte. Segundo Ana Paula, as projeções são de queda nas vendas em relação ao fim do ano passado na capital.

35,5% das dívidas em atraso estão no nome de pessoas com mais de 65 anos