Os acordos firmados entre Brasil e China totalizam mais de US$ 53 bilhões, informou nesta terça-feira (19), a presidente Dilma Rousseff em declaração à imprensa. Para comemorar a retomada da exportação de carne bovina para o mercado consumidor chinês, o governo brasileiro ofereceu churrasco para a comitiva do primeiro ministro Li Keqiang.

"O Brasil atribui grande importância à assinatura deste Acordo sobre Investimentos e Capacidade Produtiva, que hoje foi assinado entre o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma que reúne iniciativas em curso e abre novas oportunidades nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas, totaliza mais de US$ 53 bilhões", disse Dilma, em declaração à imprensa depois da cerimônia de assinatura de atos no Palácio do Planalto. "Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo de aproximação."

Os acordos assinados entre Brasil e China envolvem empresas como Petrobras e Vale e abrangem a cooperação em uma série de áreas, como tecnologia da informação, produção de satélite, tecnologia nuclear e cooperação científica.

Carne bovina

Entre os 35 acordos assinados entre Brasília e Pequim nesta terça-feira (18), por ocasião da visita do primeiro-ministro da China, está o que prevê a exportação de carne bovina brasileira para aquele país.

Em julho de 2014, durante a visita de trabalho ao Brasil do presidente da China, Xi Jinping, as autoridades chinesas comunicaram que suspenderiam o embargo à importação de carne bovina brasileira, o que não foi concretizado. O bloqueio havia sido imposto ao produto em 2012, após um caso atípico de vaca louca no Paraná.

As negociações com as autoridades chinesas foram bem duras. Para celebrar a retomada das exportações, foi oferecido pelo Itamaraty churrasco de contrafilé aos chineses. O primeiro ministro, no discurso, elogiou a qualidade da carne.

Exemplo

Em seu discurso, após um almoço oferecido para a comitiva, a presidente afirmou que a história da China traz importantes exemplos para o Brasil. "A China é detentora de uma civilização milenar e de grandes riquezas", disse, destacando que o país asiático superou o trauma de duas guerras "para recuperar seu lugar de destaque no sistema internacional".

Dilma ressaltou que as parcerias entre os dois países, além da importância econômica, têm uma harmonia "em prol de uma ordem internacional mais justa". "A amizade entre China e Brasil, além de todos os avanços concretos, também se baseia em valores imateriais de igualdade e confiança mútua", afirmou.

Em sua fala de agradecimento, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou que os dois países tem aprofundado a cooperação nos últimos anos, apesar da longa distância geográfica. Segundo ele, além dos acordos bilaterais, Brasil e China também vão atuar juntos em organizações multilaterais, "em defesa da paz e para contribuir com o estabelecimento de uma ordem mundial mais igualitária".

Em um discurso mais leve, que contou com brindes entre as lideranças, o político chinês se mostrou agradecido pela acolhida brasileira e elogiou o conhecimento de Dilma sobre a cultura chinesa.