O bilionário egípcio Naguib Sawiris poderá fazer mudanças na proposta de reestruturação apresentada à Oi no mês passado, caso seja preciso. O documento foi elaborado em parceria com credores como uma alternativa ao plano de recuperação judicial entregue pela companhia em setembro passado.

A tele protagoniza o maior processo de recuperação judicial da história do País, com dívidas de cerca de R$ 65 bilhões.

A sinalização foi feita pelo executivo Karim Nasr, representante do egípcio, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, na semana passada. Nasr ponderou que uma suposta alteração teria de atender a todos os envolvidos no processo e gerar valor para a Oi.

Além disso, qualquer mudança só virá após outros investidores interessados apresentarem suas propostas. Ao menos dois grupos devem entregar à Oi as suas ofertas nas próximas semanas - os fundos Elliott e Cerberus, especializados em empresas problemáticas. Até o momento, somente o grupo de Sawiris, em parceria com detentores de títulos representados pela Moelis & Company, colocou algo na mesa.

"Não temos motivos para mudar nossa proposta agora, que é boa e satisfaz diversas partes", disse. A oferta prevê injeção de até US$ 1,25 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões) por meio de aumento de capital. Além disso, propõe converter um total de R$ 24,82 bilhões dos títulos de dívida em ações da companhia.

Até o momento, Nasr disse que o grupo já recebeu retornos sobre o plano alternativo dos bancos, autoridades e de "bondholders" (detentores de títulos), mas não houve aproximação dos acionistas. Os principais são a Pharol (antiga Portugal Telecom) e o fundo Société Mondiale, ligado ao empresário Nelson Tanure. Parte dos credores, porém, é crítica aos planos de Sawiris por considerar a proposta financeira tímida.

Uma das maiores dificuldades é chegar a um entendimento entre os atuais acionistas, que querem uma menor diluição, e detentores de títulos, que buscam uma participação relevante na companhia.

Confidencialidade.
O grupo de Sawiris está trabalhando com a Oi para fechar um acordo de confidencialidade e ter acesso a mais informações. "São dados importantes para avaliarmos se a nossa proposta funcionará", diz o executivo.

Embora boa parte dos dados já seja pública, é preciso checar se não houve mudanças significativas. O prazo de validade da oferta do grupo é 31 de janeiro, mas, segundo Nasr, deve ser prorrogada "se houver progressos nas discussões".

Para ele, o maior risco para a proposta do grupo é a demora em sua implementação. "A Oi pode deteriorar muito e, nesse caso, nós podemos reconsiderar nossa proposta".

Nasr ressaltou ainda que o investimento que o egípcio pretende fazer na Oi é de longo prazo, com permanência na tele por ao menos cinco anos. Caso o plano seja aprovado, o egípcio ficaria com 10% da tele. "O grupo Sawiris está pedindo dois de nove assentos no conselho." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.