O governo espera bastante competição no leilão das quatro usinas atualmente controladas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), afirmou o secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Tarcísio Gomes de Freitas, durante participação nesta quarta-feira, 13, no 15º Fórum Latino-Americano Brasileiro de Liderança Estratégica em Infraestrutura.

De acordo com ele, várias empresas estrangeiras já se mostraram interessadas nesses ativos e prometeram entrar fortemente na disputa - entre elas estão EDP, Engie, Enel e a chinesa State Power Investment Corporation (Spic). "Há players que já se reuniram com o governo para comunicar formalmente o interesse pelas usinas São Simão, Jaguara, Volta Grande e Miranda", conta.

O apetite dos investidores é justificado. Como as hidrelétricas já estão operando, os riscos associados a esses ativos é praticamente nulo. "Comprar uma usina hidrelétrica com as regras que estão postas é comprar uma caixa registradora, um fluxo de caixa", afirmou Freitas. "Além disso, as usinas proporcionam uma taxa de retorno real de 8%, algo raro no mercado de infraestrutura pelo mundo", avalia.

Tarcísio Gomes de Freitas reforçou que haverá leilão no dia 27 de setembro. Como noticiado ontem, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, apurou que o governo decidiu, em reunião interna, manter o leilão previsto para o final do mês. A avaliação é de que não há o que fazer depois da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender as negociações abertas pela Advocacia-Geral da República com a Cemig para discutir a concessão das usinas.

Segundo o secretário do PPI, houve boa vontade do governo em ouvir, mas o que está sendo proposto não é viável. "Tudo começou com a MP 579, convertida na Lei 12.783. Por decisões empresariais - e não só da Cemig -, preferiram continuar negociando a energia no mercado livre. Obviamente a conta chegou, e chegou no momento em que o contrato de concessão venceu." O entendimento é de que, agora, a licitação é mandatória.

Com relação aos leilões de linhas de transmissão, a expectativa também é de que sejam bem-sucedidos, tendo em vista que o modelo já está consolidado. "Daqui a pouco, vamos vender linha de transmissão no mercado livre, na OLX", brinca. Com investimentos previstos de R$ 8,9 bilhões, o leilão contará com 11 lotes, com 4.919 quilômetros de linhas de transmissão e 10.416 megavolt-amperes (MVA) de expansão da capacidade de instalações de transmissão. O edital deverá ser publicado no dia 26 de outubro, e o leilão está previsto para dezembro.

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