Diante da insatisfação de credores da Oi com o atual plano de reestruturação da tele, que está em recuperação judicial, vários grupos têm surgido para propor alternativas ao desenho atual da renegociação das dívidas da empresa. Em meio a tanta disputa para assumir o negócio, um consórcio de investidores está sentando à mesa de negociações para unir forças com concorrentes e garantir a preferência dos credores da Oi.

Esse grupo - formado por João Cox, ex-presidente da Claro; Mario Cesar de Araújo, ex-presidente da TIM; Renato Franco, fundador da Íntegra, consultoria de reestruturação em empresas; e o banco de investimentos americano ACGM, especializado em companhias em crise - está em conversas com o fundo americano Elliott e o empresário egípcio Naguib Sawiris para uma possível associação com um deles na reestruturação alternativa para a Oi, apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

No ano passado, esse mesmo consórcio demonstrou interesse em se tornar um dos principais acionistas da operadora brasileira, que tem dívidas de R$ 65,4 bilhões. Agora, a ideia é se unir a um desses dois potenciais investidores para ajudar a reestruturar a operação da companhia, informou uma fonte a par do assunto.

Executivos do fundo Elliott virão ao Brasil nos próximos dias para conversar com credores da tele antes de apresentar sua proposta oficial para reestruturar a companhia, segundo fontes de mercado. "Acredito que o Elliott vai precisar de investidores locais que conheçam questões regulatórias e possam ajudar na reestruturação. O caso de Sawiris é diferente, uma vez que ele já tem mais experiência nesse setor, embora não seja no mercado brasileiro", diz outra pessoa familiarizada com o assunto.

Com dois executivos egressos do mercado de telecom - Cox e Araújo -, o consórcio de investidores quer se apresentar como candidato a ajudar na recuperação da companhia.

Há pelo menos três investidores interessados em apresentar um plano alternativo para a Oi: além do fundo Elliott e de Sawiris, o americano Cerberus também está no páreo.

Todos eles já entraram em contato com a Oi, mas somente Elliott e Ceberus assinaram contrato para trocar informações confidenciais com a empresa.

Já Sawiris apresentou, em dezembro, uma proposta informal que prevê um aumento de capital de US$ 1,25 bilhão. O Elliott estaria disposto a injetar até R$ 9 bilhões na Oi. Já o Cerberus, representado pela RK Partners, teria mais US$ 3 bilhões. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, uma eventual parceria do consórcio com o Cerberus está descartada.

Mudanças. Nesta semana, o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou que a Oi pretende reformular até março seu plano de reestruturação. A proposta apresentada pela tele em setembro foi criticada por credores.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a operadora está em conversas constantes com bancos nacionais e estrangeiros, além de acionistas, para chegar a um consenso sobre seu processo de recuperação. A nova proposta será feita de forma paralela aos planos alternativos que novos investidores têm apresentado.

Porém, fontes próximas à companhia não descartam a possibilidade que uma dessas propostas extraoficiais possa ser apresentada aos acionistas. Todos os desfechos possíveis preveem uma diluição da participação da Pharol (que reúne os sócios da Portugal Telecom) e do fundo Société Mondiale, na companhia.

Procurados, Oi, Elliott, representantes do fundo Cerberus e do consórcio de investidores não comentam o assunto. Nenhum porta-voz ligado ao empresário egípcio Naguib Sawiris retornou os pedidos de entrevista. Fontes próximas a Sawiris informaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o egípcio virá ao Brasil nos próximos dias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.