A Mercedes-Benz informou oficialmente nesta sexta-feira (7) ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC que iniciará demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) a partir de 1.º de setembro. A empresa alega ter 2 mil trabalhadores excedentes, mas disse que o número de cortes vai depender da quantidade de funcionários que aderirem ao programa de demissão voluntária (PDV), que se encerra na próxima sexta-feira (14). Segundo fontes, a adesão, por enquanto, é baixa.

A empresa afirmou que opera com 40% de ociosidade e esgotou todas as medidas de flexibilização, como lay-off e férias coletivas, para continuar gerenciando o excedente de pessoal. A empresa colocou como alternativa aos cortes a adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), combinado com reajustes salariais reduzidos para 2016.

Como um programa de corte de jornada e salário apresentado pela montadora no início de julho já foi rejeitado pelos trabalhadores, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, disse que, por princípio, a proposta não será reapresentada aos funcionários.

"Com o impasse, o que nos resta é ir à luta, fazer greve, pois não aceitaremos demissões", disse Nobre. Segundo ele, além do Programa de Proteção ao Emprego, a empresa quer reduzir reajustes salariais e benefícios, pois alega que "segurar pessoal por 12 meses custa perto de R$ 300 milhões e só o PPE não é suficiente".

A fabricante de caminhões e ônibus emprega 10 mil pessoas na unidade do ABC e recentemente demitiu 500 operários, parte deles por meio de PDV. Desde esta sexta-feira, cerca de 7 mil trabalhadores estão em licença remunerada até o dia 21.

"As vendas continuam muito fracas e não há nenhuma previsão de recuperação", diz o diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Mercedes, Luiz Carlos de Moraes.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas totais de caminhões caíram 43% de janeiro a julho em relação a 2014 e as de ônibus recuaram 28,6%.

Segundo Moraes, a proposta que seria apresentada aos trabalhadores é a redução da jornada e dos salários em 30% por um ano, sendo que 15% do corte salarial seriam bancados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A nova oferta é pior do que aquela recusada por 74% dos trabalhadores, que previa redução de 20% da jornada e de 10% dos salários. Estabelecia também a aplicação reduzida da inflação na data-base de 2016 e outras ações de contenção de custos, como menor Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A adesão ao PPE daria garantia de emprego durante sua duração e por mais um terço do tempo de cortes.

Volkswagen

Cerca de 5 mil trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo ficaram em casa nesta sexta-feira como parte das ações da montadora de cortar a produção. A fábrica Anchieta, como é conhecida, tem 2.357 funcionários em lay-off.

Na unidade de Taubaté (SP), a empresa negocia com o Sindicato dos Metalúrgicos local o congelamento dos salários em 2016 (em troca de um abono) e o reajuste só pela inflação (sem aumento real) em 2017.

Segundo a entidade, a empresa alega ter 500 trabalhadores excedentes (dos quais 387 estão em lay-off). A unidade emprega cerca de 5 mil pessoas.
A produção de veículos neste ano caiu 18,1% ante 2014, para 1,49 milhão de unidades. Até julho o setor cortou 8,8 mil vagas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.