Apesar da crise no setor minerário, pelo menos três empresas estudam investir em Minas Gerais. Os aportes, de acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, somariam mais de R$ 3 bilhões. “São empresas nacionais e internacionais”, afirma.

As regiões onde os investimentos seriam feitos não foram informadas, assim como o nome e a nacionalidade das empresas que fazem as prospecções. O secretário deixou claro, no entanto, que são empreendimentos de grande porte e que poderiam ser tanto novas plantas como expansão de projetos existentes.

Entre fevereiro de 2011 e este mês, a tonelada do minério de ferro, segmento mais representativo, desabou de US$ 187 para US$ 50, fazendo com que as empresas mineiras demitissem 800 trabalhadores somente no primeiro trimestre deste ano. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocou em risco a nota de oito mineradoras, entre elas, a Vale.

De acordo com Rôso, o Estado não perde a atratividade devido à vocação minerária. “As minas estão aqui. Além disso, quando falamos em minério não quer dizer que estamos falando apenas de minério de ferro”, comenta.

Periodicamente, representantes das empresas têm se reunido com o governo estadual para acertar os ponteiros dos investimentos. As demandas das companhias não foram reveladas. “É um apoio que sempre vai existir, principalmente para conquistar algum investimento”, garante.

O presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da ACMinas, José Mendo, não se surpreende com os aportes.

“Procura-se elefantes em terra de elefantes. Quando investimentos em mineração forem feitos no Brasil, eles serão em Minas”, diz. No entanto, ele garante que a morosidade para que o novo Marco da Mineração saia do papel age como entrave do mercado.

“Os investidores querem saber que leis serão aplicadas sobre o negócio deles”, enfatiza Mendo.

Maior valor agregado garante à CBMM investimento de R$ 1 bi

Depois de lucrar 11% a mais em 2014, na comparação com 2013 (R$ 1,565 bilhão contra R$ 1,405 bilhão), a Companhia

Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder na produção mundial de nióbio, decidiu manter o investimento de

R$ 1 bilhão na adequação do complexo de Araxá, no Alto Paranaíba. O aporte, iniciado no ano passado, vai até 2016 com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva de 80 mil toneladas/ ano para 150 mil.

Na avaliação do presidente da companhia, Tadeu Carneiro, a CBMM passa ao largo da crise do setor minerário por não vender, sequer, um grama de minério. “Todo o minério nós processamos e transformamos em produtos de nióbio de maior valor agregado”.

A tecnologia utilizada na empresa, que tem parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) há 72 anos (25% da receita da empresa é repassada à Codemig), foi desenvolvida no Brasil. “Quando iniciamos a mina não tínhamos mercado aqui. Hoje, que estamos em situação econômica delicada, principalmente com relação à demanda, existe uma busca por eficiência. E o nióbio ajuda a fazer isso. Ou seja, temos um mercado”.

A CBMM detém 80% do mercado nacional e exporta 96% do que produz. A escalada da moeda norte-americana deu ainda mais impulso aos negócios. “A China, como país individual, é o que mais consome nióbio. Mas a Europa como bloco é maior”, afirma. Por questões estratégicas, o preço da tonelada não é informado.