Maio foi o pior mês em vendas de apartamentos novos em Belo Horizonte em, pelo menos, 15 anos. De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG), em maio foram registradas vendas de apenas 77 imóveis novos na cidade, o número mais baixo desde 1998, ano de início da pesquisa, e igualando-se apenas a novembro de 2002.

O número representa uma queda de 75% sobre as 313 unidades residenciais vendidas no mês anterior. No ano, a retração chega a 28%, passando de 1.690 unidades vendidas de janeiro a maio de 2012 para 1.216 no mesmo intervalo deste ano.

A pesquisa é por amostragem e os números não são absolutos, mas são usados para apontar tendência do mercado.

Preços

A perspectiva permanece de vendas em baixa nos próximos meses, enquanto o preço, que sobe acima da inflação, deverá se acomodar, oscilando dentro das faixas de elevação de custos.

Em maio, o preço dos imóveis em Belo Horizonte registrou variação positiva média de 0,44% contra um avanço de 0,29% da taxa de inflação. No acumulado do ano até maio, os imóveis residenciais ficaram 3,84% mais caros enquanto a inflação acumulou alta de 3,49%. Já no acumulado de 12 meses, as unidades habitacionais sofreram reajuste médio de 9,52% e o indicador de inflação variou positivamente 5,71%.

Para o conselheiro e ex-presidente do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (Secovi-MG), Ariano Cavalvanti, não existe exagero nos preços dos imóveis novos nem este seria fator preponderante para o recuo nas vendas que, segundo ele, acontece desde o ano passado. Para Cavalcanti, o motivo seria a desvalorização exagerada dos seminovos.

“O seminovo tem deságios frente ao novo que chegam a 50%. Em 2012 vimos uma valorização média do imóvel de 22,79% e uma queda de 9,8% na quantidade de transações. O que ocorre este ano é uma continuidade deste movimento”, afirmou.

Cavalcanti também condiciona o menor dinamismo das vendas à conjuntura econômica, com inflação e juros em alta. “Isso inibe todos os mercados, inclusive o imobiliário”, observou.

Ele avalia que o preço dos imóveis deve desacelerar e interromper a trajetória de altas acima da inflação. Apesar dos resultados negativos de maio e do acumulado do ano, ele ainda prevê estabilidade nas vendas em 2013.

“A tendência é a de que, com a acomodação dos preços, as transações com imóveis novos se igualem às de 2012”, afirmou.
 
Leia mais na Edição Digital