Pensando em criar um espaço diferenciado para o mercado de luxo em Belo Horizonte, a empresária Eliane Abi-Ackel criou a Maison H, uma espécie de conjunto compartilhado da moda em Belo Horizonte. O espaço, um casarão antigo, que antes abrigava apenas a grife Habillé, também de propriedade de Eliane, passou a receber outras lojas de segmentos de alto padrão, que vão da revenda até a customização de peças de alta costura. Em meio à crise, o rateio das despesas de água, luz, segurança, manobrista e até gastos com publicidade foi a solução para manter o negócio e a novidade na capital.

“As relações das pessoas com o mundo estão mudando e em muitos países da Europa, até mesmo em São Paulo, Brasília e em outras capitais, é muito comum essa ideia de compartilhamento de espaços. Quando fundei a loja, logo pensei que teria que ser em um lugar diferente, com um pensamento inovador”, explica Eliane, que tem, atualmente, quatro inquilinas com lojas montadas no casarão, que ela prefere considerar que seja um condomínio de luxo.

Uma sala no casarão histórico, de 1920, pode ser alugada a partir de R$ 1.000, com todas as despesas inclusas. Dependendo do uso, se for apenas para uma exposição de uma coleção de uma grande marca, por exemplo, esse preço pode variar de R$ 300 a R$ 500. A intenção é conseguir entre seis e oito novos inquilinos, além de abrir uma cafeteria gourmet, com produtos estilo “in natura”. “O melhor concorrente é aquele que está do seu lado. Olhando o outro você pode melhorar o seu próprio negócio, além de se aliar ao concorrente, criando outras formas, outros mecanismos para vender melhor”, explica.

Projeto
Quando montou a loja Habillé, em agosto do ano passado, a empresária investiu R$ 150 mil para adequar o espaço físico, além da compra de mais de 500 peças de alta costura, que inicialmente, eram alugadas. São coleções de Emilio Pucci, Cavalli, Ralph Lauren, Patricia Bonaldi, além de bolsas Chanel e semi-joias. Os preços de empréstimo variavam de R$ 370 a R$ 1.300. Mas o negócio deu uma reviravolta, e tudo passou a ser comercializado para o público.

“Resolvi mudar para venda porque vi que meu público tinha outro interesse. Muitas peças que foram alugadas, de grifes famosas, estão com descontos entre 30% e 80%. São roupas, sapatos, bolsas e semi-joias de coleções passadas de grandes marcas”, garante Eliane, que espera recuperar o investimento feito em todo o projeto em até 2 anos. “Nesse segmento de luxo, a gente não pode ter pressa para esperar esse retorno financeiro”, complementa.