Trabalhadores com direito a sacar o dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e que têm dúvidas sobre a medida provisória (MP 763) podem acessar um guia on-line lançado pelo Instituto Fundo Devido ao Trabalhador (IFDT). A cartilha pode ser baixada gratuitamente no site www.fundodevido.org.br.

Elaborada pela ONG, a cartilha tem 37 páginas e explica de maneira didática como funciona o FGTS, quais os tipos de contas, as situações que permitem os saques, o acesso ao extrato e como saber se a conta está inativa. 

A publicação também orienta, com base no extrato, como correr atrás dos depósitos atrasados. 

Segundo a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF), órgão gestor do fundo, o calendário com o cronograma oficial deve ser publicado hoje. 

O banco disse ainda que estuda a abertura das agências no fim de semana para facilitar a retirada do dinheiro nas contas inativas, mas a medida ainda não foi confirmada. 

A expectativa é a de que os pagamentos já comecem no mês de março. 

O presidente do Instituto Fundo Devido do Trabalhador, Mario Avelino, orienta o trabalhador a se antecipar à divulgação do cronograma da Caixa para ganhar tempo. 

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De olho
Ao solicitar o extrato analítico do FGTS, é possível fazer o levantamento das contas ativas e inativas, além de identificar os valores disponíveis para saque e, se for o caso, ir atrás das empresas que deixaram de fazer os depósitos. 

O trabalhador poderá pedir o extrato pelo telefone 0800-726-0207, pelo endereço eletrônico www.fgts.gov.br ou ainda pelo aplicativo do FGTS para smartphone.

“O trabalhador deve acompanhar atentamente o extrato. Não dá pra ficar alienado e ter uma surpresa desagradável depois. Se a empresa não deposita o Fundo há menos de dois anos, dá pra ir à Justiça. Mas se ela decretar a falência, aí bye, bye”, afirma. 

Pessoas que trabalharam até 31/12/2015 e não sacaram o FGTS na época, porque pediram demissão ou foram desligadas da empresa por justa causa, poderão retirar o valor 

Números divergentes
Segundo o banco estatal, a estimativa é a de que 10,2 milhões de trabalhadores possam sacar o benefício.

No entanto, pelas contas do presidente do Instituto, Mario Avelino, cada trabalhador tem, em média, quatro contas inativas não sacadas, o que totalizaria 23,6 milhões com direito ao saque, cujo montante somaria R$ 20,5 bilhões no país.

Já o governo federal estima que a medida coloque em circulação no mercado R$ 30 bilhões, movimentando a economia. 

De acordo com estudos de Avelino, com base na RAIS – Relação Anual de Informações Sociais de 2015 –, publicado pelo Ministério do Trabalho, e no balanço anual do FGTS de 2015, publicado pela Caixa, Minas respondia por 10,03% dos 48.060.807 trabalhadores existentes no Brasil com a carteira de trabalho naquele ano – o equivalente a 2,6 milhões de trabalhadores. 

Juntos, eles poderão sacar R$ 2,056 bilhões em contas inativas do FGTS nos próximos cinco meses. 

“Isso significa que poderá entrar uma média mensal de R$ 411,2 milhões, sacados por cerca de 474 mil trabalhadores na economia de Minas Gerais entre os meses de março e julho de 2017”, afirma Avelino.

Ele destaca, entretanto, que os cálculos são apenas uma média, podendo ser maior ou menor por Estado, em função da média salarial, da quantidade de trabalhadores estatutários, rotatividade da mão de obra do estado, além de outros fatores que podem influenciar no resultado.