INDAIATUBA (SP) – Uma palavra de ordem da indústria automotiva tem sido a eficiência. Motores menores, carrocerias mais leves, baixo consumo e restrições de emissão de combustível. A Audi tem levado a cartilha à risca, com propulsores compactos e de alto desempenho. Mas às vezes é preciso subverter a ordem em nome da tradição, e o RS6 Avant Performance quebra com algumas dessas determinações – por uma causa nobre.

A edição mais recente da perua de alto desempenho da marca das quatro argolas é um carro superlativo. São quase cinco metros de comprimento e 1.950 quilos. Com essas medidas, a lógica nos leva a crer que se trata de um carro lento, pesado como uma saudosa Rural Willys. 

Ledo engano, o RS6 é um foguete capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, quase o mesmo tempo que o irmão, o R8 V10 Plus, leva para atingir a mesma velocidade com seu V10 “Made in Lamborghini”.

O que faz desse paquiderme um leopardo é o motor V8 biturbo 4.0 de 605 cv e nada menos que 70 mkgf de torque. Trata-se do propulsor com maior oferta de torque da marca. E toda força está disponível a partir dos 1.700 rpm. Ou seja, o carro decola sem precisar encher o motor.

Um dos segredos para extrair tanto torque e potência do V8 está num rearranjo dos agregados. Segundo o assessor técnico da Audi do Brasil, Lothar Werninghaus, o reposicionamento das turbinas garantiu maior eficiência da admissão. “Geralmente o turbocompressor fica posicionado nas laterais da bancada, no caso de um motor em V. O que fizemos foi montar os turbos entre as bancadas, assim reduzimos a distância que o ar comprimido leva para chegar à câmara, o que nos deu melhor resultado”, observa.

Na prática
Depois da explicação, fomos comprovar na pista se a engenhoca funciona mesmo. A grande vantagem do RS6 para demais supercarros é que ele não exige nenhum tipo de esforço ou contorcionismo para entrar ou sair. O carro é enorme. Daí, se encaixar nos bancos esportivos é moleza. 
Com as mãos no volante, apertei o botão START e o V8 acordou. Perguntei para o piloto da Audi que me acompanhava se podia dar uma cutucada no acelerador antes de puxar a alavanca para o D. Ele riu e disse que sim. O som é abafado. Trata-se de um motor moderno projetado para quem quer esportividade, mas sem fazer um Carnaval na rua.

Com a transmissão em “S” e com o ajuste dinâmico para o modo mais esportivo possível, recebi a instrução para pisar com tudo. Os 70 quilos de torque torceram os diferenciais e a perua disparou no asfalto.

Diante dos meus olhos, projetado no para-brisas, o head-up display mostrava a velocidade subindo, 100, 120, 160, 180 km/h e a primeira curva chegando. “Hora de tirar o pé”, pensei. Afinal, são duas toneladas voando como se fosse a bala do canhão Bertha.

Impressionantemente, os quatro discos de cerâmica estancaram a velocidade, desafiando a física. A tração integral facilitou a tangente. Com o volante alinhado, o pé espremeu o pedal da direita novamente e o V8 rugiu grave, da forma como um “veoitão” deve roncar. 

Foram algumas voltas lascivas a bordo do RS6 Avant Performance, sem prestar atenção no sistema multimídia que me dava informações sobre o carro, na qualidade do acabamento e se o ar-condicionado de duas zonas estava na temperatura ideal. Era só guiar de forma insana, vendo a curva chegar rápido e compreendendo de vez a Teoria da Relatividade!