Fabricantes italianos geralmente estão ligados ao esporte a motor, desde a Alfa Romeo no início do século 20, que os herdeiros de Rômulo e Remo constroem carros pensando em performance. Com o Lancia Stratos não foi diferente. Reza a lenda que o Stratos foi criado pela Bertone a partir de um Fulvia, numa tentativa do estúdio de estilo fechar um contrato com a marca de Turin.

Nos bastidores da indústria italiana era sabido que Lancia buscava um substituto para o Fulvia nas provas de rali. Daí, o protótipo do Stratos foi pensado e projetado para sua conversão para competições. Para dar forma ao carro, a Bertone escalou ninguém menos que Marcello Gandini. Para quem não sabe, trata-se do projetista que traçou as linhas dos imortais Lamborghini Miura e Countach.

Gandini fez o que sabia e as fotos acima não deixam dúvidas de seu talento. O protótipo foi levado até a sede da Lancia e rapidamente foi aprovado. Assim como no Miura, o Stratos tinha uma robusto chassi tubular que lhe garantia uma espetacular rigidez torcional e ótima distribuição de peso.

Coração “rosso”
Sob o capô traseiro a Lancia fazia experimento com motores herdados do Fulvia e do Beta, mas a unidade que caiu como uma luva no cofre viria de Maranello. Tratava-se do V6 2.5 de 190 cv da Ferrari Dino V6 e caixa manual de cinco marchas, montados em posição transversal central. 

A princípio, o Comendador Enzo não gostou muito da ideia de ter seu motor num suposto concorrente, mas como se tratava de um carro de tiragem limitada e feito para ralis, acabou sendo uma forma de escoar os blocos de seu cupê de má fama.

Seu lançamento aconteceu em 1973, no mesmo ano que a Federação Internacional do Automóvel (FIA) homologava o Campeonato Mundial de Rali (WRC). Para poder participar, era obrigatório que o carro tivesse pelo menos 500 unidades produzidas, que se estendeu pelos anos de 1974 e 1978.

O Stratos fez sua estreia na data prevista. Ele participou de seis das oito etapas do mundial daquele ano e venceu três ralis, terminou outros dois em terceiro e um em quarto, somando 94. Vinte e cinco a mais que o segundo colocado, com o piloto da fábrica Sandro Munari eo navegador sueco Björn Waldegard. 

O Stratos ainda venceu as temporadas de 1975 e 1976. Em 1977, Munari conquistou o título de pilotos do WRC a bordo de seu Stratos com a vitória em três etapas.