Há quem defenda que o 2016 foi bom para a indústria automotiva. Dependendo do ponto de vista, sempre é possível enxergar um lado positivo em qualquer assunto, mas é categoricamente impossível dizer que o ano foi positivo para o setor de automóveis: fechou com uma retração de licenciamentos na ordem de 19,8% sobre 2015, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em números concretos significa que foram comercializados no mercado interno 1.98.389 unidades no ano que passou. Isso significa que o desempenho do mercado regrediu uma década. Pois um resultado inferior a esse foi registrado pela última vez em 2006, quando foram anotados 1.832.529 emplacamentos. Definitivamente, não dá para dizer que foi um ano positivo.

O que chamou atenção em 2016 é que houve um grande volume de lançamentos de modelos sofisticados. Grande parte deles importados. O Salão do Automóvel de São Paulo foi um exemplo nítido dessa tendência. A maioria esmagadora dos lançamentos era de modelos não fabricados localmente. 

Se viu a renovação dos segmento de sedãs médios com Chevrolet Cruze, Honda Civic e Nissan Sentra. Dos três, só o Honda é feito por aqui. Também presenciamos a expansão dos motores tricilindros 1.0 turbinados, que chegaram a Hyundai HB20, Ford Fiesta e Volkswagen Golf. Com exceção do VW, os demais motores são importados. Sendo assim, essa qualificação de produto não se traduz em volume. Ainda são modelos de nicho que orbitam numa faixa de preço elevada.

Volume
Não é preciso ser matemático e economista para saber que volume é o que garante postos de trabalho. Da mesma forma, que não precisa ser nenhum executivo para saber que volume se consegue com produtos de preço acessível, o que desapareceu do mercado. 

Fiat e Volks sabem muito bem disso e foram as marcas que mais perderam participação, justamente por dependerem muito dos segmentos de entrada. Os italianos terminam em segundo lugar em participação, com 15,3% dos licenciamentos enquanto a VW fechou o ano na terceira posição com 11,5% do mercado. 

Desde 2003 que a Fiat era líder de vendas no mercado e foi superada pela General Motors, que terminou o ano com 17,4% das vendas, que corresponde a um volume de 345.874 unidades. Foram 42 mil carros a menos que em 2015, quando era vice-líder. Ou seja, a GM foi líder por ter contido a perda de mercado e não por ter ganho em volume. 

E muito se deve ao Onix, que pela segunda vez foi líder de vendas com 153.372 unidades e um dos poucos automóveis a registrar elevação sobre 2015. Em 2016 suas vendas subiram cerca de 20%. Outro raro modelo que também registrou elevação foi o Honda HR-V, que saltou de 51 mil para 55 mil unidades, mas não foi suficiente para os japoneses fecharem acima do ano passado. 

Só a Jeep teve um desempenho superior este ano, com 59 mil licenciamentos, contra 41 mil em 2015. Mas é preciso considerar que este foi o primeiro ano “cheio” para o Renegade. Além disso, ainda ocorreu o lançamento do Compass, que mesmo chegando às lojas em novembro, ajudou a engrossar os números da marca. 

Definitivamente, 2016 não foi bom para ninguém, nem para os mais otimistas que enchem os olhos ao ver um carrão importado desfilando por aí.