SÃO PAULO – O amigo leitor deve estar cansado de ler sobre a dinastia dos utilitários-esportivos (SUV), que invadiram as ruas do planeta e pretendem ficar por muito tempo. O Mercedes-Benz GLA é mais um fruto dessa tendência de mercado. Automóveis com suspensão elevada e visual mais robusto caíram mesmo no gosto do consumidor.

No Brasil, o desejo por um SUV se dá por razões lógicas e emocionais. A lógica é que um jipinho urbano consegue oferecer o mesmo padrão de conforto e comodidade que um sedã, mas se beneficia da suspensão elevada e pneus de ombros mais largos para suportar o padrão nacional de pavimentação.

O apelo emocional é que os jipinhos representam status. Numa leitura rápida, significa que quem tem um SUV é bem-sucedido. Em dias de autoestima baixa, massagear o ego pode ser um doce remédio.

E o efeito é mais duradouro quando se tem uma estrela de três pontas cravada na grade do radiador. O GLA chega à linha 2018 levemente reestilizado. O líder de vendas da marca ressurge com alterações praticamente imperceptíveis: as mudanças se concentram nos faróis, grade, lanternas e para-choque.

Por dentro, e também ganhou uma “lapidada” no painel, com volante de contornos suavizados e redesenho dos demais instrumentos, como ar-condicionado e comandos do sistema de entretenimento. No entanto, a arquitetura é a mesma.

A grande novidade do GLA é que ele passa a contar com conexão com smartphone nos padrões Android Auto e Apple Car Play. E como está em voga, dispensa o navegador nativo para utilizar o do telefone. Mas o recurso só funciona para quem tem aparelhos que rodam o sistema operacional do Google, pois a Apple ainda não liberou a função de mapa para os telefones brasileiros.

Versões
O GLA vem em cinco versões: 200 Style (R$ 158.900), 200 Advance (R$ 175.900), 200 Enduro (R$ 203.900), 250 Sport (R$ 232.900) e o furioso A45 AMG (R$ 359.900).

Gla Mercedes-Benz

PRIMEIRA CLASSE – Por dentro, o GLA é praticamente o mesmo, apesar de volante e instrumentos do painel terem recebido linhas mais suaves. Qualidade do acabamento segue o padrão premium, com uso de couro e materiais emborrachados

Jipinho alemão oferece bom comportamento e espaço

O GLA segue a tendência do mercado, assim como os concorrentes BMW X1 e Audi Q3. Dos três, o Mercedes é o que menos tem porte de utilitário-esportivo, mas também se enquadra na categoria. Durante a apresentação rodamos com o jipinho alemão por aproximadamente 400 quilômetros, na estrada, cidade e terra.

O GLA se mostrou tão satisfatório quanto os irmãos da família de compactos com tração dianteira (Classe A, CLA e Classe B), em termos de desempenho. Claro que por ter suspensão elevada, seu comportamento dinâmico não é tão firme quanto o do hatch e do cupê quatro portas, mas também não desaponta. Pelo contrário.

É extremamente equilibrado e vence curvas fechadas de alta velocidade com facilidade. Muito em função do controle de estabilidade (ESP) dotado do sistema Curve Dynamic Assist, capaz de ler o ângulo de esterçamento do volante e a trajetória da carroceria e promover uma ação corretiva antes que o carro tenda a sair da rota.

Motor
O carro-chefe da linha é a versão Advance (R$ 179 mil), com pacote de conteúdo equilibrado e motor turbo 1.6 de 156 cv e 25 mkgf de torque, combinado com transmissão de dupla embreagem 7G DCT de sete marchas.

O conjunto também é oferecido nas versões Style e Enduro. E mesmo que pareça pouco diante da crescente cavalaria dos motores turbinados, a unidade se mostra eficiente e com boas respostas.

Por dentro, o conforto impera. O motorista tem direito a bancos com ajuste elétrico e memória para até três posições; o ar-condicionado não permite ajuste individual, mas quem se importa? O que vale é ser SUV e ter uma estrela no capô.