Ao invés de trilhar um caminho franciscano, sem apego material, como ocorreu com o irmão Mille e o Palio Fire, o Uno seguiu o caminho da qualificação. A razão está em atrair consumidores que outrora podiam pagar por compactos de degraus mais altos e que hoje vivem a nova realidade econômica e buscam automóveis com mais conteúdo, abrindo mão do refinamento.

Depois de seis anos de mercado, o Uno passou por sua segunda plástica. Ganhou novos para-choques, grade, faróis e lanternas. Por dentro, continua como em 2014, com plásticos duros, mas de melhor tato que a versão original de 2010.

Mas debaixo do capô o Uno evoluiu. E muito! As novas unidades Firefly 1.0 6v (três cilindros) de 77 cv e 1.3 de 109 cv prometem mais eficiência e consequentemente economia no bolso do consumidor.

Na rua
Testamos a versão Way 1.3 Dualogic, com pacote de opcionais completo e avaliado em R$ 58.477. Nessa configuração, com direito ao rádio com Bluetooth e MP3, computador de bordo com tela de TFT, encosto de braço central e transmissão automatizada Dualogic (com comandos por botões), o consumidor se sente afagado de estar diante de um carro mais sofisticado do que ele realmente é. O Uno convence bem!

Mas não se pode jogar pedras no carrinho. Apesar de caro, o Uno Way é o mais acessível entre seus concorrentes diretos e oferece muita praticidade no uso cotidiano. 

E se o consumidor puder incluir todos os conteúdos opcionais e não ter necessidade de espaço extra no bagageiro, ele se mostra uma opção interessante, já que passa a agregar assistente de partida em rampa (Hill Holder), controle de estabilidade (ESP) e sistema start/stop. Some a isso o ótimo comportamento do motor 1.3 com consumo (urbano/rodoviário) médio de 10,5 km/l, com etanol.

Raio-x Fiat Uno Way 1.3 Dualogic

O que é?
Hatch pequeno, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade da FCA em Betim (MG).

Quanto custa?
R$ 51.990
R$ 58.477 (testado)

Com quem concorre?
O Fiat Uno Way 1.3 Dualogic concorre no segmento de hatches aventureiros como Chevrolet Onix Activ (R$ 57.490); Hyundai HB20X Premium 1.6, automático, (R$ 65.355); e Renault Sandero Stepway Easy-R (R$ 63.960); Toyota Etios Cross (R$ 59.120) e Volkswagen CrossFox (R$ 69.850)

No dia a dia
O Uno é um carrinho citadino por natureza. Com 3,82 metros, ele se mostra muito prático na cidade, tanto para se esquivar no congestionamento como para encontrar vagas em espaços apertados. Ponto a favor para a direção elétrica, com função City, que torna as manobras mais leves. A posição elevada da direção auxilia na melhor visibilidade e a função de ajuste do retrovisor em ré reduz o risco de esfolar as rodas no meio-fio. 

De fábrica, ele oferece apenas sensor de ré, e quem quiser uma câmera de ré terá que apelar por kit na rede de concessionários ou por um módulo paralelo. O mesmo é válido para o navegador GPS, que também é vendido como acessório.

O acabamento melhorou, mas está longe de ser um primor em refinado, como os irmãos mais garbosos como Punto e Bravo.

Motor e transmissão
A unidade Firefly 1.3 de 109 cv se mostra bastante satisfatória e bem mais elástica que o anêmico 1.4 de 82 cv, oferecido até a linha 2016. Combinado com a transmissão automatizada Dualogic, o carrinho se mostra esperto e confortável na cidade.

Como bebe?
Seu consumo com álcool é de 10,5 km/l no combinado entre cidade e estrada.

Suspensão e freios
A suspensão do Uno utiliza conjunto independente (McPherson) na frente, e eixo rígido na traseira. Já os freios utilizam o trivial conjunto de discos na frente e tambor atrás, mas cumprem bem a função de frenagem, com o auxílio do ABS. Destaque para o assistente de partida em rampa Hill Holder, que dá tempo de arrancar na ladeira sem deixar o carro voltar e também para o controle de estabilidade (ESP) que passa a ser item de série na versão.

Pontos positivos
- Motor
- Consumo

Pontos negativos
- Preço alto na configuração completa
- Acabamento pobre