Um passo a passo que ensina quem está enrolado com o cartão de crédito a pagar menos juros utilizando a simulação de uma compra no site  Mercado Livre viralizou no Twitter. Não é para menos. Com os juros do cartão de crédito em 15,29% ao mês, ou 480% ao ano, a maior taxa dos últimos 21 anos, a ideia parece tentadora. A operação seria simples, se não fosse ilegal. No post, o consumidor sem condições de pagar a fatura do cartão de crédito é orientado a anunciar um produto fictício no site Mercado Livre no valor necessário para quitar a fatura do cartão. Na sequência, ele próprio compraria o produto, via Mercado Pago, em um parcelamento de 12 vezes, com juros de 2,92% ao mês. Porém, como se trata de uma operação em que o objeto a ser comercializado simplesmente não existe, quem tentar esse tipo de "refinanciamento" ensinado via tutorial no Twitter pode ser processado por fraude ou estelionato.

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Engenharia financeira de aparência inocente no Twitter é, na verdade, uma sugestão de fraude

"O consumidor fica sujeito a responder por isso, com possibilidade de pena restritiva de liberdade e indenização à empresa", explica o presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crime Cibernético da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Luis Felipe Silva Freire. O advogado lembra que a prática viola a política de uso do Mercado Livre, que pode denunciar o usuário.

O Mercado Livre é claro sobre o veto à operação. "O usuário que tentar realizar essa ação será identificado pelo sistema de segurança da plataforma, notificado e estará sujeito à inabilitação do cadastro, conforme previsto nos termos e condições do Mercado Livre, e às penalidades da legislação vigente",informa o site, hoje a mais popular plataforma de comércio eletrônico do Brasil. Só no terceiro trimestre do ano foram mais de 47 milhões de itens vendidos.

Economia legal

Mas a estratégia de trocar uma dívida mais cara por outra mais barata tem opções legais com taxas de juros, inclusive, inferiores aos 2,92% relatados pelo internauta via Twitter. No consignado, por exemplo, com desconto direto na folha de pagamento, é possível encontrar taxas abaixo de 1,50% mensais, dependendo da relação entre o consumidor e a instituição financeira.

Há, ainda, os financiamentos com garantia. Quando um imóvel entra na operação é possível encontrar taxas a partir dos 1,50% mensais. Se o carro é o bem dado em garantia, a cobrança sobe para a partir de 2% ao mês. Em todos esses casos, o consumidor deve se planejar para estar seguro de que tem condições de hornar com o financiamento. O juro mais baixo tem como preço a entrega de um bem em caso de inadimplência.

Por fim, os mais organizados podem recorrer a uma cooperativa de crédito. Nesse caso, é preciso fazer o aporte de algumas dezenas de reais mensalmnete para ter acesso às linhas para cooperados da categoria. Mas os juros são bem mais amigáveis, muitas vezes abaixo dos 1,50% ao mês, dependendo do valor e do prazo.

Há ainda opções mais rápidas e também menos econômicas, como um empréstimo pessoal negociado diretamente no banco, com taxa média de 4,70% ao mês. Nas financeiras, o juros mensais batem em 8,50% e perdem apenas para o cheque especial (12,46%) e para o imbatível cartão de crédito. 


Alçado a celebridade instantânea do mundo financeiro na internet, o twiteiro Bernardo agora prefere não render assunto."Não acredito que eu tenha algo mais a falar a não ser que o ML não deseja esse tipo de operação", disse, ao ser procurado pela reportagem. 

(Colaboraram Liziane Lopes, Janaína Oliveira e Filipe Papini)

Fontes: pesquisa direta e Anefac