O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) teria recebido R$ 110 milhões durante a campanha dele à Presidência da República no ano de 2014. O valor foi revelado pelo empresário Joesley Batista, em depoimento à Polícia Federal. Segundo o delator, o dinheiro foi dividido entre o PSDB (R$ 64 milhões), o PTB (R$ 20 milhões) e o Solidariedade (R$ 15 milhões). Já os políticos que apoiaram a campanha do tucano ficaram com os R$ 11 milhões restantes. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (20), pelo Jornal "O Globo".

Segundo a reportagem de "O Globo", o empresário entregou ainda à PF uma planilha com as doações, além de notas fiscais e recibos com informações comprovando o repasse a Aécio.

O dono da JBS ainda afirmou ter repassado R$ 50 mil por mês ao senador entre 2015 e 2017, uma espécie de mesada para custear despesas do Senado. O pagamento era feito em nome de uma rádio da família, como forma de prestação de “serviço de publicidade”. 

A reportagem do Hoje em Dia entrou em contato com a assessoria do senador, mas ninguém foi encontrado para falar sobre as denúncias.

Mais acusações

Na última terça-feira (17), quando o senador virou réu na operação "Lava Jato", o deputado Osmar Serraglio (PP-PR) afirmou, no plenário da Câmara, que sofreu pressões de Aécio quando era ministro da Justiça. Serraglio disse que trechos das gravações telefônicas entre Aécio e Joesley Batista deixam claro que ele não cedeu às pressões do senador, que queria indicar um novo delegado da Polícia Federal. No diálogo, Aécio aparece chamando Serraglio de um "bosta do c****".

No dia, a defesa do senador Aécio afirmou que ele "jamais" tentou interferir na nomeação de delegados para a condução de qualquer inquérito. Alberto Zacharias Toron, advogado do tucano, também defendeu que todas as conversas que Aécio teve sobre o tema foram "no sentido de mostrar seu inconformismo com inquéritos abertos sem qualquer base fática, em especial, com a demora em serem concluídos, levando a um inevitável desgaste".

Decisão do Supremo

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça, na última terça (17).

A decisão foi tomada com base no voto do ministro Marco Aurélio, relator do caso. Para o ministro, o fato de o senador ter sido gravado por Joesley e citar que tentaria influi na nomeação de delegados da Polícia Federal mostra indício dos crimes que teriam sido praticados por ele.

Segundo a denúncia, apresentada há mais de 10 meses, Aécio pediu a Joesley Batista, em conversa gravada pela Polícia Federal (PF), R$ 2 milhões em propina, em troca de sua atuação política. 

No início da sessão, o advogado Alberto Toron afirmou que o valor era fruto de um empréstimo e que o simples fato de ele possuir mandato no Senado não o impede de pedir dinheiro a empresários. 

* Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

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