Conta a história que Pompeia Sula, esposa do imperador Júlio César, foi largada pelo marido no ano de 62 a.C. após um homem, Públio Clódio Pulcro, ter entrado vestido de mulher numa festa realizada pela monarca apenas para senhoras. Pulcro nada fez, e o César acabou livrando a barra dele. Mas Pompeia não teve a mesma sorte. A justificativa do imperador foi: “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta!”

A frase do líder romano se tornou uma máxima aplicada a quase tudo: não basta ser, é preciso parecer. Máxima que se aplica também à indústria do automóvel, mas numa lógica inversa: não precisa ser, basta parecer!

Com o fenômeno dos utilitários-esportivos (SUV) que teve início nos anos 1990 e hoje vive seu apogeu, fabricantes têm convertido tudo em jipinhos. Por aqui, a prática dos hatches aventureiros teve início há cerca de 15 anos com o VW CrossFox (que já morreu) e o novo representante é o Ka Freestyle, que chega por irracionais R$ 63.490. 

Trata-se de R$ 6 mil a mais do que é cobrado pela versão, então topo de linha, SEL 1.5. Caso o consumidor opte por transmissão automática, sobe para R$ 68 mil. Ou seja, tem que ter preço de SUV, mesmo que não seja. 

Mas o Fordinho não é único a se valer dessa estratégia de mercado. Modelos como Onix Activ, HB20X e Sandero Stepway também orbitam numa faixa de preços entre R$ 64 mil e R$ 71 mil. Valores bem mais salgados que seus similares citados.

A Ford justifica o preço salgado na revisão da suspensão mais alta 18 cm de altura livre do solo, com três centímetros a mais na distância das bitolas, para acomodar pneus mais largos, e que, segundo ela, reforça a estabilidade. 

Na realidade, Ka Freestyle, assim como seus concorrentes diretos, trazem de diferente basicamente a decoração. São adornos em plástico preto nos para-lamas, caixa de ar, assim como apliques diferenciados nos para-choques, rack de teto e demais firulas que dão um ar de utitlitário-esportivo, mesmo que seja um hatch compacto. 

Afinal, desde que pareça, não precisa ser!