Um ano, uma volta completa da Terra em torno do Sol, foi o tempo que o Porsche 934 Turbo RSR precisou para chegar à imortalidade. O super 911 surgiu em 1976 para correr em categorias do Grupo 4 da FIA. Era uma evolução do 930 RSR (construída sobre a base do primeiro 911 Turbo) e se posicionava abaixo do 935, que disputava provas no Grupo 5. 

Para atender o regulamento da FIA, era necessária a construção de pelo menos 400 unidades. Número expressivo para um modelo de competição, mas homologado para uso urbano.

Naquela época, a Porsche estava cheia de amores pelo 930. E não era para menos. Junto com a BMW e seu 2002 Turbo, ela era praticamente a única fabricante que oferecia um carro de produção com motor equipado com turbocompressor. 

O resultado com o 930 RSR tinha sido positivo, mas ela queria ir além com seu novo bólido de turismo.

Superlativo

Com para-lamas ainda mais largos que o 911 Turbo para abrigar os largos pneus traseiros, diversos componentes aerodinâmicos, como novos para-choques e um imenso aero-fólio Whale Tail (rabo de baleia), acesso rápido de abastecimento sobre o capô dianteiro e diversas peças em fibra de vidro para reduzir peso, o 934 era um carro que intimidava à primeira vista.
 
Debaixo do aerofólio estava o boxer 3.0 equipado com injeção Bosch K-Jetronic e turbo compressor dotado de Intercooler e válvula de pressão que mais parecia um terceiro cano de descarga acoplado a uma caixa manual de quatro marchas. Tudo isso rendia 490 cv a 7.000 RPM, que o fazia atingir a máxima de 305 km/h. Algumas unidades foram modificadas para render até 600 cv.

Para manter o bicho sob controle, a Porsche recorreu ao conjunto de suspensão utilizado no protótipo 917 e um sistema de freios com discos de aço e pinças de alumínio. Mesmo assim, era um carro extremamente difícil de ser controlado. Afinal, naquela época não havia nenhum tipo de assistência eletrônica, o que demandava muita perícia para mantê-lo sob controle, principalmente para quem não era piloto profissional.

Desempenho

O 934 Turbo RSR foi um tsunami no ano de 1976, principalmente nas equipes Martini Racing e Team Kremer tendo ótimo desempenho nos campeonato de turismo alemão, europeu e mundial. O carro era tão competitivo que completou as 24 de Le Mans daquele ano na 11º posição geral.
 
Apesar do bom desempenho, a Porsche encerrou a produção do 934 em 1977 apostando as fichas no 935, que não demandava produção mínima. Mesmo assim, muitas unidades continuaram a participar de competições até meados dos anos 1980. A vida curta e seu desempenho nas pistas tornaram o modelo um dos 911 mais cobiçados e raros do mercado, atingindo cifras na casa dos US$ 2 milhões (R$ 6.6 milhões) ou mais, dependendo do histórico chassi nas pistas.